O julgamento da tentativa de golpe de Estado de 2022 avança no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma definição parcial: até o momento, o único condenado é o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).
O relator Alexandre de Moraes havia votado pela condenação de todos os réus, e foi seguido pelo ministro Flávio Dino. Mas, nesta quarta-feira (10/9), o ministro Luiz Fux surpreendeu ao absolver os demais acusados e responsabilizar apenas Mauro Cid pelo crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
“Imponho a conclusão de que o réu Mauro César Barbosa Cid deve ser responsabilizado criminalmente pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, afirmou Fux em seu voto. Mais cedo, o ministro já havia afastado a acusação de organização criminosa armada contra todos os denunciados.
Reação bolsonarista
A fala de Fux incendiou o campo político. Aliados e filhos do ex-presidente Bolsonaro celebraram a declaração do ministro sobre a “incompetência absoluta” do STF para julgar o caso. Nas redes sociais, o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) escreveu: “Anula a Inquisição!”. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que há um “cardápio de nulidades — inquestionáveis — para anular toda a farsa conduzida por Alexandre de Moraes”.
A palavra de ordem “anula tudo” se espalhou entre parlamentares e militantes alinhados ao ex-presidente. Muitos elogiaram diretamente o ministro, com frases como “Fux honra a toga”.
Divisão política
As manifestações revelam a polarização: enquanto bolsonaristas comemoram o posicionamento, setores da esquerda criticam a decisão parcial e defendem que o Supremo mantenha as condenações propostas pelo relator.
Com a sessão em andamento, o destino dos demais acusados segue indefinido, mas a situação de Mauro Cid já está selada: ele é, até o momento, o único condenado na trama golpista.

