João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Malafaia admite que dosimetria é só a primeira etapa para tentar anistia a Bolsonaro
10/12/2025 13:06
Redação ON Reprodução

O que nos bastidores da direita bolsonarista sempre foi tratado como “estratégia silenciosa”, agora foi dito em voz alta. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor Silas Malafaia, principal mobilizador político de Jair Bolsonaro nas ruas e organizador das grandes manifestações bolsonaristas em São Paulo, escancarou o plano do PL: aceitar agora a redução de penas pela dosimetria e deixar a anistia para depois, quando houver clima político e votos suficientes no Senado.

Segundo Malafaia, a anistia ampla aos condenados do 8 de Janeiro não avançou neste momento porque a direita não tem maioria na Câmara Alta. Por isso, Bolsonaro teria dado sinal verde para a alternativa possível: reduzir as penas agora e aguardar o “momento certo” para tentar a anistia total.

“Bolsonaro concordou porque não tem votos no Senado para aprovar a anistia”, afirmou Malafaia. Ele diz ter ouvido essa orientação diretamente do senador Flávio Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro. “É isso que Bolsonaro quis”, cravou.

Na prática, o vídeo desmonta qualquer narrativa de improviso. Segundo o próprio Malafaia, tudo foi calculado: primeiro a dosimetria, depois a anistia. Um plano em duas etapas, assumido publicamente.

A exaltação ao líder do PL e o discurso de guerra

No vídeo, Malafaia também faz elogios inflamados ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, a quem chama de “gigante” e “macho” por ter enfrentado a votação.

“Primeiro a redução de pena, mais tarde, no momento certo, anistia geral”, disse o pastor, confirmando o que, até então, circulava apenas como suspeita nos bastidores do Congresso.

Ao comparar o atual debate com a Lei da Anistia de 1979, Malafaia partiu para um discurso de confronto direto. Segundo ele, a esquerda teria protagonizado episódios mais graves do que os atos golpistas de 8 de janeiro. O pastor voltou a negar qualquer tentativa de golpe e classificou as condenações como “a maior farsa política da história do Brasil”.

“Transformaram uma baderna em uma farsa de golpe, de pura perseguição política para tirar Bolsonaro do jogo”, afirmou. Em outro trecho, disse ser “uma vergonha” ver Bolsonaro, militares e manifestantes condenados.

O que o vídeo escancara para além do discurso

Mesmo recheado de ataques ao Judiciário e à esquerda, o ponto central do vídeo está longe da retórica religiosa ou ideológica. O que Malafaia fez foi revelar, sem rodeios, a engenharia política do bolsonarismo no Congresso: recuar taticamente na anistia agora para garantir algum alívio jurídico com a dosimetria, preservando o objetivo maior para um segundo momento.

A fala desmonta a versão de que a redução de penas seria um gesto isolado ou motivado apenas por indignação humanitária. O próprio aliado mais barulhento de Bolsonaro expõe que tudo faz parte de uma estratégia gradual para tentar livrar o ex-presidente e seus aliados das consequências jurídicas do 8 de Janeiro.

Ou seja: não houve derrota, houve cálculo. A anistia não saiu porque não havia votos. A dosimetria entrou porque era o que dava para fazer.

E, como deixou claro Malafaia, o plano não acabou. Ele apenas entrou na fase seguinte.

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