João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Maduro virou história: Ficam as perguntas sobre o futuro da Venezuela e da América Latina
03/01/2026 09:11
Clóvis Roberto Reprodução

É engraçado (e muitas vezes não é engraçado) como a história se repete. Nicolas Maduro, um ditador latino americano, entre tantos ao longo dos últimos séculos, insiste em não entregar o poder e acaba contrariando os interesses americanos. Passa a ser acusado de narcotráfico, contrabando ou antidemocrático. A tensão aumenta e uma hora ele é retirado de cena.

É bem provável que Maduro tenha envolvimento mesmo com o tráfico de drogas. Que o venezuelano não aprecia o resultado das urnas, já é notório. Trump também só gosta do que sai das urnas quando é o vitorioso. Ficam pergutnas sobre o futuro da Venezuela e da América Latina.

O cenário se repete. Os EUA vão lá com todo o poder militar, prendem o ditador de plantão e o levam para fora do país. Maduro já virou história. Passará os restos dos seus dias preso em algum lugar, bem provavelmente nos States. Claro, será julgado pelos americanos. Vida que segue!

O presidente Donald Trump esperou no seu primeiro mandato que o Brasil, de Jair Bolsonaro, e a Colômbia, de Ivan Duque, fizessem o serviço sujo. Não caíram na armadilha, apesar da tentação. Mas Maduro também não aproveitou a oportunidade para ir embora. Como um “bom” ditador sabe que largar o poder pode significar a morte, mas entende, também, que permanecer pode resultar no mesmo destino. 

O futuro da Venezuela? Ainda está sendo escrito. Vejo dois caminhos. O menos provável é o início de uma guerra civil e novas instabilidades (tipo Líbia pós-Muammar Gaddafi ou Iraque pós-Saddam Hussein), ou mais provavelmente (já que é muito perto territorialmente dos EUA e faz parte do estilo latinoamericano) que assuma um governo da oposição em breve e, o mais importante para Trump, alinhado aos Estados Unidos. Novas eleições podem também ser o caminho. Tudo isso, desde que o regime atual saia de cena.

Pelas primeiras notícias, os ataques dos EUA são pontuais. Não é uma invasão militar para tomar o país e Trump não tem esse objetivo. Não interessa aos EUA meter suas tropas em cidades pobres e florestas venezuelanas. A ideia é tirar Maduro e forçar a mudança de governo e de alinhamento. Isso não quer dizer que novas ações militares e, principalmente, irregulares através da CIA, não ocorram. Talvez, esteja ocorrendo neste momento.

China e Rússia vão reclamar, bater o pé, mas não vão começar uma guerra mundial por conta de Maduro ou pela Venezuela. Cuba já está reclamando, mas não passará disso. A solidariedade a Maduro ficará nos discursos, num movimento diplomático e pronto.

A Rússia tem uma guerra com a Ucrânia para lutar e seus projetos na Europa. A China luta com armas que os EUA sabem muito bem usar há muito tempo. Dinheiro, negócios, são mais importantes. E os chineses já iniciaram o seu projeto na América Latina com maior intensidade através do mega porto construído no Equador e tem bons parceiros comerciais como o Brasil para fazer negócios, incluindo a Argentina, que mesmo com Milei não deixa de vender soja para os chineses.

Vejo a América do Sul com novos capítulos na briga geopolítica mundial. As eleições presidenciais no Brasil e na Colômbia são dois episódios importantes que acontecem este ano. Também haverá eleições no Peru.

Lula abra bem o olho. Ele terá que falar para o público interno pensando nas eleições. Dosar o discurso será tarefa difícil. O Brasil deverá seguir a cartilha diplomática. Não concorda com ataque a território de um país soberano e recomenda diálogo. Certamente aconselhará a cautela e, talvez, nos bastidores, oriente quem ficou no poder na Venezuela e abrir as portas para a chegada da oposição e a saída de quem ficou no comando com vida.

A química de Lula com Trump rolou, mas certamente os americanos  da era Trump preferem outro presidente no Brasil, alguém mais “friend”.  Porém, não desejam um “bananão”.

Quanto a Maduro? Como disse antes, virou passado. Só um nome. Penso que será levado aos EUA, julgado sob acusação de apoiar narcotraficantes e ficará preso até morrer confortável inofensivamente. Um remake ao estilo de Augusto Noriega do Panamá.

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