Um movimento silencioso em Brasília, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, passou a ter efeitos diretos no tabuleiro político da Paraíba. Ao entrar pessoalmente para conter a crise entre o Tribunal de Contas da União e o Banco Central, o presidente Lula não apenas atuou como mediador institucional, mas também deixou rastros de um suposto acordo político que reverbera no estado.
Segundo reportagem da jornalista Vera Rosa, do Estadão, Lula conversou nos bastidores com o presidente do TCU, o paraibano Vital do Rêgo, e pediu que ele ajudasse a esfriar as especulações que vinham afetando o mercado financeiro após o caso do banco Master. O gesto foi tratado no Planalto como decisivo para impedir turbulências na taxa de juros. Lula, inclusive, agradeceu pessoalmente a Vital por “entrar em campo” para acalmar a situação.
Mas a conversa não ficou apenas no plano técnico. De acordo com a mesma apuração do Estadão, Lula já teria sinalizado ao presidente do TCU que vai apoiar a tentativa de reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo, irmão de Vital, na disputa de 2026. Embora aliados digam que esse apoio já estava acertado antes da crise financeira, o fato é que ele ganha novo peso político ao ser revelado no contexto desse entendimento entre Planalto e Corte de Contas.
Na Paraíba, essa sinalização não passa despercebida. Lula já declarou apoio ao governador João Azevêdo, que deve deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado. Isso significa que só resta uma cadeira na chapa governista, e ela virou objeto de uma queda de braço cada vez mais intensa. De um lado, está Veneziano Vital, que busca a reeleição. Do outro, Nabor Wanderlei, prefeito de Patos e pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, que também se apresenta como pré-candidato.
Poucos dias antes do Natal, Nabor foi ao Planalto, se reuniu com Lula e publicou uma foto ao lado do presidente. O gesto foi interpretado, em Brasília e na Paraíba, como uma tentativa de se inserir nesse jogo de forças, sinalizando uma reaproximação de Hugo Motta com o governo federal.
Nesse cenário, o suposto acordo entre Lula e Vital do Rêgo ganha contornos estratégicos. Não se trata apenas de uma articulação para conter uma crise financeira, mas de um movimento que, avalizado pelo Estadão, interfere diretamente no xadrez político paraibano e na definição de quem ocupará a última vaga ao Senado na chapa lulista em 2026.
A disputa, que já era dura, agora passa a ser travada sob a sombra de um entendimento costurado nos bastidores de Brasília. E, como costuma acontecer na política, quem controla os bombeiros também pode acabar controlando o incêndio eleitoral.