O senador paraibano Efraim Filho (PL) está entre os nomes da oposição que o governo Lula considera potencialmente mais abertos ao diálogo a partir de 2027. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, assinada por Fábio Zanini, a expectativa é estabelecer uma relação produtiva com parte dos senadores do PL para ajudar a construir condições de governabilidade no quarto mandato do presidente.
Além de Efraim, a coluna cita Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, e Domingos Sávio, de Minas Gerais. A avaliação relatada pelo Painel é que integrantes da legenda têm trajetória no centro político e ingressaram no partido por conveniência eleitoral, o que poderia abrir espaço para negociações com o Planalto.
A inclusão de Efraim nessa lista expressa uma aposta do governo na possibilidade de diálogo. Não significa que o senador tenha assumido compromisso de integrar a base governista ou apoiar as propostas de Lula.
A mesma expectativa de interlocução se estende a senadores do União Brasil e do PP. O cálculo é que o alinhamento partidário de oposição não impeça entendimentos em votações específicas.
A matemática na Câmara
Na Câmara, o governo trabalha com uma estimativa que dimensiona o desafio: cerca de 200 deputados fiéis, outros 200 de oposição ferrenha e pouco mais de 100 parlamentares em disputa.
Esse terceiro grupo, formado principalmente por partidos do centrão, será decisivo para a construção de maioria. Segundo o Painel, são deputados mais suscetíveis à pressão da opinião pública, aos interesses de suas bases locais e à liberação de emendas parlamentares.
A estratégia passa, portanto, por combinar articulação política, atendimento a demandas regionais e negociação em torno das propostas do Executivo. Os aproximadamente 200 deputados considerados fiéis seriam o ponto de partida, mas não garantiriam, sozinhos, a aprovação da agenda governista.
A avaliação apresentada pela coluna é que Lula encontrará um Legislativo mais difícil a partir de 2027, embora ainda veja possibilidade de construir maioria para governar.
Ministérios e articulação
A composição ministerial também poderá produzir movimentos na Câmara. De acordo com o Painel, Lula tem dito que deseja ver Rui Falcão, ex-presidente do PT e primeiro suplente em São Paulo, no exercício do mandato em 2027.
Uma das possibilidades seria nomear um deputado paulista para o ministério, abrindo espaço para Falcão. A coluna menciona Luna Zarattini, Edinho Silva e João Paulo Cunha entre os nomes cogitados para integrar o governo.
Entre a disputa pelos votos do centrão e a busca de interlocutores até no PL, o Planalto prepara uma estratégia de negociação permanente. É nessa conta que aparece Efraim: como uma possível abertura ao diálogo dentro de um partido que estará no campo da oposição.

