quinta-feira, 7 de maio de 2026
Lula inicia agenda nos EUA cercado de temas explosivos em encontro com Trump
07/05/2026 05:32
Redação ON Reprodução

Depois de meses de negociações diplomáticas e expectativa crescente nos bastidores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta quarta-feira (6) a Washington para aquele que pode ser um dos encontros internacionais mais delicados de seu terceiro mandato. Ao lado de uma comitiva formada por cinco ministros, Lula terá nesta quinta-feira (7) uma reunião oficial com o presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca.

A agenda marca a primeira visita oficial do petista ao governo Trump desde a volta do republicano ao poder e acontece em meio a divergências políticas evidentes entre os dois líderes. Apesar disso, Brasília aposta em uma pauta pragmática, focada em interesses econômicos, segurança internacional e temas comerciais considerados estratégicos para os dois países.

A programação começa no fim da manhã desta quinta, no horário local, quando Lula será recebido na Casa Branca para uma reunião reservada com Trump. Depois do encontro, os governos devem divulgar um resumo oficial das conversas, seguido de um almoço entre as delegações.

Nos bastidores, porém, a expectativa gira em torno dos assuntos espinhosos que devem dominar a conversa. Um dos pontos mais sensíveis envolve a pressão de setores do governo americano para que facções criminosas brasileiras passem a ser tratadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Outro tema que promete gerar tensão é a questão comercial. Tarifas, etanol brasileiro, disputas econômicas e até o sistema Pix devem entrar na pauta, num momento em que os Estados Unidos observam com atenção o avanço de mecanismos financeiros fora da órbita tradicional do sistema bancário internacional.

Também devem ser discutidos assuntos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio e a exploração de minerais raros, setor que ganhou importância estratégica na disputa econômica mundial.

Lula ainda tentará abrir espaço para uma articulação diplomática em favor da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, cotada para assumir futuramente o comando da ONU. O detalhe é que os Estados Unidos possuem poder de veto no processo, o que transforma o tema em uma negociação delicada.

A viagem de Lula aos Estados Unidos vinha sendo costurada desde o ano passado. Os dois presidentes tiveram uma conversa rápida durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e voltaram a se falar por telefone no início deste ano. A partir daí, os governos aceleraram os entendimentos para viabilizar a visita oficial.

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