quarta-feira, 8 de abril de 2026
Lula define rumo na Paraíba, mas deixa dilema para Ricardo Coutinho dentro do próprio palanque
08/04/2026 15:52
Redação ON Reprodução

A movimentação política desta  4ª feira em Brasília redesenhou o cenário eleitoral da Paraíba para 2026. A sinalização de que o presidente Lula pretende ver o PT ocupando a vaga de vice na chapa do governador Lucas Ribeiro praticamente encerra a dúvida sobre qual será o palanque prioritário no estado.

Mas, ao mesmo tempo em que organiza o topo da disputa, essa decisão abre uma fissura importante dentro do próprio campo petista – e ela tem nome e sobrenome: Ricardo Vieira Coutinho.

O ex-governador vive hoje um impasse político delicado. De um lado, já deixou claro publicamente que não pretende subir no palanque de Lucas Ribeiro. Do outro, carrega divergências profundas com João Azevêdo, seu ex-aliado e hoje adversário direto, que integra o mesmo grupo político e deve ocupar posição central na chapa majoritária, possivelmente na disputa pelo Senado.

Essa relação estremecida voltou a ganhar temperatura nos últimos dias. Em declarações recentes, Ricardo elevou o tom, fez acusações e voltou a expor o nível de desgaste com João Azevêdo, a quem atribui episódios graves do passado político recente. O embate, que já vinha latente, agora se torna ainda mais sensível diante da nova configuração eleitoral.

O problema é que há um terceiro elemento nessa equação: o próprio presidente Lula.

Ricardo Coutinho também já afirmou que seguirá a orientação do presidente nas eleições. Ou seja, se Lula aponta para o palanque de Lucas Ribeiro, a lógica partidária empurra Ricardo exatamente para o espaço político que ele diz rejeitar. É aí que nasce o dilema.

Como conciliar a disciplina partidária com as divergências pessoais e políticas? Como pedir voto em uma chapa que reúne adversários históricos? E, principalmente, qual será o papel de Ricardo dentro dessa construção?

Não se trata de um ator secundário. Ricardo Coutinho continua sendo uma liderança com densidade eleitoral e potencial concreto de protagonismo, especialmente em uma disputa proporcional, onde pode figurar entre os mais votados.

A definição vinda de Brasília organiza o jogo na superfície. Mas, nos bastidores, expõe uma tensão que ainda está longe de ser resolvida.

O palanque pode até estar montado. Resta saber quem, de fato, vai conseguir permanecer em cima dele até o fim da campanha.

O jogo político da Paraíba virou – e virou em Brasília. O que era dúvida agora começa a se definir: o presidente Lula já tem um palanque preferencial no estado, e ele passa pela chapa do governador Lucas Ribeiro.

A articulação foi direta, envolvendo a cúpula do PT e aliados estratégicos, com um objetivo claro: colocar o partido na vaga de vice. Na prática, isso reorganiza todo o cenário e enfraquece outras alternativas.

Mas tem uma pergunta que ainda não foi feita – e ela é central: onde entra Ricardo Coutinho nessa história?

Ricardo já disse que não sobe no palanque de Lucas. Também tem divergências com João Azevêdo. Só que, ao mesmo tempo, afirmou que vota em quem Lula mandar.

Se Lula aponta para Lucas, Ricardo vai acompanhar ou manter a posição?

Não é detalhe. Ele continua sendo um nome forte e pode ser um dos deputados mais votados do estado.

O cenário no topo está desenhado. Mas essa peça ainda está solta — e pode fazer barulho.

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