João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Lula condena ação dos EUA na Venezuela e alerta para ultrapassagem de limites
03/01/2026 10:32
Redação ON Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou neste sábado, dia 3, a ação militar conduzida pelo governo de Donald Trump na Venezuela, classificando os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente do país como uma ultrapassagem de limites no cenário internacional.

Em manifestação pública, Lula afirmou que ataques militares e a retirada forçada de um chefe de Estado configuram uma linha inaceitável nas relações entre nações soberanas. Para o presidente brasileiro, trata-se de um precedente extremamente perigoso, capaz de gerar instabilidade e aprofundar tensões no sistema internacional.

A posição do Palácio do Planalto é marcada por cautela diplomática. Embora exista, nos bastidores, a consciência de que o episódio pode criar ruídos nas relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em um momento sensível de negociações comerciais e tarifárias, essa preocupação não é tratada como central. O foco do governo brasileiro está no alerta contra ações unilaterais que extrapolam os limites do direito internacional.

Lula defendeu ainda uma resposta firme da comunidade internacional, com protagonismo da Organização das Nações Unidas, e reiterou que o Brasil se coloca à disposição para contribuir com soluções baseadas no diálogo e na cooperação entre os países.

O contraste com essa postura ficou evidente em um vídeo que circula nas redes sociais e foi publicado no Instagram do portal Norte Online. Nele, o presidente da Argentina, Javier Milei, elogia abertamente a ação de Donald Trump na Venezuela. Durante a edição do vídeo, imagens de Lula ao lado de Nicolás Maduro aparecem repetidas vezes, enquanto Milei afirma que chegou a hora de acabar com a “ditadura dos comunistas”.

Embora não cite Lula de forma direta, o discurso e a edição do material deixam implícita uma provocação política e a torcida para que iniciativas semelhantes avancem também sobre outros países da região, incluindo o Brasil. O episódio expõe não apenas divergências ideológicas, mas também visões opostas sobre soberania, limites da força e o papel da diplomacia na América do Sul.

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