A política paraibana entrou no modo “suspense” neste pós-Carnaval. Mais cedo, a coluna O Norte Político, do portal O Norte Online, revelou uma declaração curiosa do vice-governador Lucas Ribeiro: mesmo diante de sinais de desgaste e rumores de rompimento, ele afirmou ainda apostar na manutenção da harmonia com Jhony Bezerra, quadro considerado estratégico dentro da base governista.
A fala de Lucas soou como um gesto público de distensão num momento em que os bastidores indicavam turbulência. Jhony, que vinha sendo apontado como possível dissidente do grupo do governador João Azevêdo, aparecia no radar como um nome capaz de bagunçar o tabuleiro político em Campina Grande e no interior do Estado.
Poucas horas depois, porém, o cenário ganhou novos contornos. O portal Polêmica Paraíba informou que o próprio Jhony Bezerra decidiu cancelar, sem apresentar justificativa pública, a entrevista coletiva que havia convocado para o próximo dia 23 de fevereiro, em Campina Grande. Na ocasião, ele prometia esclarecer seu rumo político, inclusive em relação ao apoio ao governo estadual.
O cancelamento abrupto, em vez de encerrar o assunto, acendeu ainda mais as especulações. Há quem leia o gesto como um sinal de que o aceno feito por Lucas Ribeiro encontrou algum eco. Outros enxergam a decisão como reflexo de negociações de bastidores que ainda não teriam maturado o suficiente para um anúncio público. O fato é que, no vácuo de explicações, o campo político se alimenta de hipóteses.
Ao confirmar a informação, Jhony Bezerra afirmou que as definições sobre seu futuro político ficaram para “mais adiante”. Disse ainda que segue dialogando com bases e lideranças para tomar a melhor decisão, enquanto as indefinições passam tanto pela escolha da legenda para disputar a Câmara Federal quanto pela possibilidade de rompimento com o grupo do governador João Azevêdo.
Esse episódio dialoga diretamente com uma análise publicada recentemente pelo portal O Norte Online, antes mesmo do Carnaval, sobre a volatilidade do chamado “capital eleitoral”. A matéria lembrava que políticos podem concentrar votações expressivas em determinados momentos sem, necessariamente, serem donos permanentes desse patrimônio. O próprio Jhony Bezerra é citado como exemplo: na última disputa pela Prefeitura de Campina Grande, ele obteve quase 100 mil votos contra Bruno Cunha Lima, um desempenho relevante, mas que não garante, por si só, a transferência automática desse eleitorado para qualquer novo projeto.
O raciocínio se aplica a outros casos emblemáticos da política paraibana e nacional. Pedro Cunha Lima, que chegou a ultrapassar a marca de um milhão de votos no segundo turno contra João Azevêdo, tampouco pode ser tratado como “proprietário” desse contingente eleitoral. No plano nacional, o exemplo de Aécio Neves é ainda mais didático: os quase 50 milhões de votos obtidos contra Dilma Rousseff não se converteram em um ativo político permanente nos anos seguintes.
Nesse contexto, os movimentos de Lucas Ribeiro e o recuo momentâneo de Jhony Bezerra ajudam a dar mais tempero à pré-campanha na Paraíba. O jogo está longe de estar definido, e o que hoje parece um gesto de aproximação pode, amanhã, se revelar apenas mais um capítulo de uma disputa que promete ser marcada por reviravoltas, negociações silenciosas e mudanças de rota de última hora.