Maria de Lourdes Nunes Ramalho, mais conhecida como Lourdes Ramalho, nasceu em 23 de agosto de 1920, em Jardim do Seridó (RN). Ainda jovem, mudou-se para a Paraíba, onde consolidou uma das carreiras mais marcantes do teatro nordestino. Autora de mais de cem textos, entre peças inéditas e premiadas, tornou-se referência nacional e internacional, recebendo homenagens em países como Portugal e Espanha.
Filha de uma professora e dramaturga e bisneta de um violeiro repentista, Lourdes cresceu cercada por cultura popular. Aos 10 anos já escrevia peças e, na adolescência, protagonizou sua primeira polêmica ao criticar o ensino em uma comédia apresentada no colégio, que resultou em sua expulsão.
Na vida adulta, optou por dedicar-se à escrita e direção, abandonando a carreira de atriz. Entre 1964 e 1966, participou da Sociedade Brasileira de Educação através da Arte (SOBREART) no Rio de Janeiro e, ao retornar à Paraíba, fundou a seção local da entidade, coordenando grupos teatrais.
Suas peças ganharam destaque nos anos 1970. Fogo-Fátuo venceu o I Festival Nacional de Arte de Campina Grande (1974), As Velhas foi premiada no Festival de Teatro Amador do Paraná (1975) e A Feira conquistou o Festival Regional de Feira de Santana (1976). Na década de 1990, passou a investir na dramaturgia em cordel. Seu Romance do Conquistador representou o Brasil nas comemorações dos 500 anos da chegada dos espanhóis à América, a convite da embaixada da Espanha.
A autora também se dedicou ao público infantil, com títulos como Dom Ratinho e Dom Gatão e Anjos de Caramelada. Sua importância foi reconhecida com diversas homenagens: em 2005, o Centro Cultural de Campina Grande recebeu seu nome; em 2011, foi tema de uma jornada internacional de estudos sobre teatro popular; e em 2018, ganhou grafite e registro em barro na Vila do Artesão de Campina Grande.
Além do teatro, Lourdes escreveu livros de poesia (Flor do Cacto) e pesquisas históricas (Raízes Ibéricas, Mouras e Judaicas do Nordeste).
Faleceu em 7 de setembro de 2019, aos 99 anos, em Campina Grande, deixando um legado imenso para a dramaturgia brasileira.
Principais obras: A Feira, As Velhas, Fogo-Fátuo, Romance do Conquistador, A Bela e o Monstro, A Mulher da Viração, Maria Roupa de Palha, entre dezenas de outras.