Às vésperas de assumir a Prefeitura de João Pessoa, o vice-prefeito Léo Bezerra enfrenta um cenário político delicado e, ao mesmo tempo, incomum. Mesmo após o anúncio público de rompimento do seu pai, o deputado estadual Hervásio Bezerra, com o governador João Azevêdo, Léo fez questão de reafirmar que, da sua parte, não existe qualquer ruptura com o Governo do Estado.
A manifestação ocorre em meio a especulações políticas e leituras de bastidores que tentam associar os movimentos do pai à posição institucional do filho. Léo Bezerra, no entanto, tem sido enfático ao separar as duas esferas. Segundo ele, sua trajetória política sempre foi marcada por lealdade, coerência e apoio ao governador, inclusive em momentos considerados adversos.
O vice-prefeito relembra episódios em que esteve em palanques compostos majoritariamente por forças de oposição ao governo estadual e, ainda assim, fez questão de defender publicamente João Azevêdo. Para Léo, esse histórico fala por si e desmonta qualquer narrativa de rompimento ou ambiguidade de posicionamento.
Parte da reação mais dura foi direcionada ao secretário estadual Tibério Limeira, a quem Léo acusa de fomentar polêmicas para ganhar visibilidade política. O vice-prefeito sustenta que, até pouco tempo atrás, era elogiado internamente como um dos principais quadros do partido em João Pessoa e que a mudança repentina de discurso revela mais disputa interna do que divergência política real.
Léo também cita como exemplo o tratamento dado a outras lideranças que já tiveram protagonismo dentro do partido e, posteriormente, passaram a ser desqualificadas, apontando um padrão de desgaste que não contribui para a construção política nem para a unidade da legenda.
Apesar do embate, Léo Bezerra tenta manter o foco no papel que passará a exercer nos próximos dias. Afirma que sua prioridade está na gestão da cidade, nas demandas da população e na responsabilidade administrativa que assume ao chegar ao comando da Prefeitura. Deixa claro que não aceitará ser utilizado como escada política e que seguirá trabalhando para atender as necessidades concretas da população.
O elemento que permanece no ar é como essa divisão política — rompimento do pai e lealdade do filho — será administrada no plano familiar. Publicamente, Léo opta por preservar sua posição institucional e reforçar a fidelidade ao projeto político do governador. Nos bastidores, porém, a situação expõe um quadro raro e desconfortável, em que a política ultrapassa os gabinetes e passa a atravessar a própria dinâmica de uma das famílias mais tradicionais da cena política paraibana.