A disputa em torno das pesquisas eleitorais na Paraíba ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira. O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba determinou a retirada de circulação de um levantamento divulgado pelo Instituto Seta em parceria com o portal Polêmica Paraíba. A medida atende a um pedido apresentado pelo MDB e amplia o ambiente de desconfiança que passou a cercar os institutos responsáveis por medir o cenário político estadual.
Na decisão, o desembargador João Benedito da Silva entendeu que existem elementos suficientes para interromper temporariamente a divulgação da pesquisa até que os questionamentos sejam analisados com maior profundidade. Entre os pontos levantados estão dúvidas sobre a origem dos recursos usados no levantamento, críticas ao formato do questionário e observações sobre critérios estatísticos adotados pelo instituto.
O magistrado observou, por exemplo, que o material registrado oficialmente para a pesquisa não corresponderia integralmente às perguntas aplicadas aos entrevistados. Também chamou atenção o fato de o formulário incluir temas nacionais e avaliações administrativas em um levantamento que tinha como foco declarado a disputa estadual.
Outro aspecto mencionado envolve a forma como os dados teriam sido ajustados estatisticamente. A decisão aponta possível fragilidade nos mecanismos de ponderação utilizados pelo instituto, levantando dúvidas sobre a efetividade técnica do método empregado para equilibrar a amostra.
Além disso, a discussão sobre o financiamento do levantamento também entrou no centro da controvérsia. O processo menciona divergências entre as informações prestadas oficialmente ao sistema eleitoral e declarações públicas relacionadas ao custeio da pesquisa, circunstância considerada relevante pelo tribunal neste momento inicial da análise.
A determinação judicial manda retirar imediatamente as publicações relacionadas ao levantamento, sob risco de aplicação de multa diária em caso de descumprimento.
O episódio ocorre poucas horas depois de o portal O Norte Online publicar uma ampla reportagem sobre o Instituto Veritá, outro nome que entrou no radar das polêmicas eleitorais após divulgar números sobre a corrida pelo Governo da Paraíba.
A reportagem mostrou que o Veritá passou a ser alvo de fortes críticas políticas e questionamentos públicos depois da divulgação de cenários eleitorais recentes. O caso reacendeu um debate que costuma ganhar força em períodos pré-eleitorais: até que ponto os institutos conseguem transmitir segurança metodológica e transparência suficientes para evitar suspeitas sobre os resultados apresentados.
Com a decisão envolvendo agora o Instituto Seta, a discussão sobre credibilidade das pesquisas deixa de atingir apenas um instituto isoladamente e passa a envolver o próprio ambiente de produção e divulgação dos levantamentos eleitorais no estado.
