sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Justiça condena Padre Egídio por esquema de corrupção no Hospital Padre Zé que desviou equipamentos eletrônicos
13/02/2026 17:38
Da redação do ON Arquivo

O padre Egídio de Carvalho Neto foi condenado à pena de prisão devido ao esquema de corrupção que desviou equipamentos eletrônicos doados ao Hospital Padre Zé, localizado em João Pessoa. Também foi condenado o ex-chefe de tecnologia da informação do hospital, Samuel Rodrigues Cunha Segundo,

A condenação foi definida nesta sexta-feira, dia 13, e foi proferida pela juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Criminal da Capital. Os equipamentos eletrônicos haviam sido doados pela Receita Federal ao Hospital Padre Zé.

Padre Egídio de Carvalho dirigia o Hospital Padre Zé. O esquema foi o ponto de partida para a descoberta de diversos outros crimes.

O caso foi investigado, inicialmente, pela Polícia Civil e foi assumido, na sequência, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB). A investigação apontou que os dois condenados se aproveitaram de cargos estratégicos para montar uma engrenagem de desvio e revenda clandestina.

O plano começou ainda no recebimento das doações avaliadas em mais de R$ 800 mil. Os itens, que deveriam ser destinados a um sorteio para a arrecadação de fundos para o hospital, acabaram sendo desviados. Os equipamentos eram mantidos sob o controle dos dois suspeitos.

A investigação apontou sabotagem deliberada do sistema de câmeras. Testemunhas relataram falhas recorrentes no monitoramento justamente nos períodos em que os equipamentos desapareciam. O conhecimento técnico de Samuel teria sido decisivo para garantir a retirada dos produtos sem registro.

A Justiça identificou uso predominante de pagamentos em espécie e movimentações financeiras por meio de contas de terceiros. Em áudios, Samuel citava um suposto fornecedor chamado “Neto”, descrito com características que coincidem com as do ex-diretor.

O esquema só veio à tona após inconsistências no inventário levarem à abertura de caixas lacradas que estavam vazias. O rombo mínimo confirmado foi de 676 itens desviados, com prejuízo material superior a R$ 525 mil.

A sentença fixou para Egídio: 3 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, mais 132 dias-multa, a serem cumpridos em regime semiaberto. Já Samuel foi condenado a 4 anos, 7 meses e 16 dias de reclusão também em regime semiaberto, mais 110 dias-multa.

O Judiciário destacou agravantes no caso do ex-diretor, citando liderança institucional e religiosa como fatores que ampliaram a gravidade da conduta.

Os dois também foram condenados solidariamente a penalidades solidárias de R$ 525.877,77 por danos materiais; R$ 500 mil por danos morais coletivos, destinados a fundo assistencial. Também houve suspensão dos direitos políticos durante o cumprimento das penas.

canal whatsapp banner

Compartilhe: