A crise provocada pelas chuvas que atingiram a Paraíba nos últimos dias colocou à prova duas lideranças que ainda estão no início de suas trajetórias administrativas. O governador Lucas Ribeiro (36 anos) e o prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (42 anos), recém-alçados a funções executivas, foram empurrados para um cenário extremo, com mortes, milhares de pessoas afetadas e cidades inteiras sob pressão. A experiência prévia de ambos estava no campo político e legislativo; a gestão, na prática, começou sob um teste de estresse.
O que se viu desde a intensificação das chuvas, na sexta-feira (1/5), foi uma mudança rápida de postura institucional para uma atuação de campo. No caso do governador, o primeiro registro foi discreto: um alerta nas redes sociais sobre o aumento do volume de água e a necessidade de atenção. Em poucas horas, porém, a dimensão da tragédia obrigou uma virada. A agenda virou uma maratona. Visitas a municípios, reuniões de monitoramento, decretos emergenciais, deslocamentos por estradas comprometidas e presença constante ao lado de equipes técnicas e operacionais passaram a marcar o ritmo.
Esse movimento ficou amplamente documentado nas próprias redes sociais do governador. Não apenas como prestação de contas, mas como instrumento de comunicação direta em meio ao caos. Em vídeos e áudios, Lucas Ribeiro aparece em deslocamento entre cidades do Vale do Paraíba, acompanhando interdições de rodovias, visitando áreas isoladas e participando de resgates. Em vários momentos, a fala deixa transparecer o peso da situação, com menções à urgência de salvar vidas, à necessidade de respostas rápidas e à articulação entre diferentes órgãos.
Respostas rápidas
A estrutura de resposta do governo estadual também ganhou forma visível. Lucas não teve dúvidas em decretar estado de calamidade pública, criou um comitê de crise envolvendo secretarias, forças de segurança e equipes de resgate passou a operar com reuniões diárias, relatórios e definição de prioridades. Houve decretos para acelerar obras emergenciais, distribuição de itens básicos para famílias desabrigadas e articulação com o governo federal para antecipação de benefícios sociais e liberação de recursos.
Numas das postagens no Instagram, Lucas fez uma chamada de vídeo para Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, e, além de passar informações sobre o caos que estava instalado no Estado, pediu ajuda ao Governo Federal para ajudar aos milhares de desabrigados.

O ponto culminante dessa sequência de ações do governador Lucas Ribeiro foi o sobrevoo realizado nesta segunda-feira (4), ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. A inspeção aérea, que passou por municípios como Santa Rita, Bayeux e Rio Tinto, teve caráter técnico e político: dimensionar os estragos e reforçar a presença da União. Os números dão a dimensão do problema: mais de 37 mil pessoas afetadas, cerca de 2.400 famílias desalojadas e 895 desabrigados.
Léo Bezerra em ação
No plano municipal, Léo Bezerra seguiu uma lógica semelhante, adaptada à escala urbana. Em João Pessoa, a resposta se concentrou no monitoramento contínuo de áreas de risco, no acolhimento de famílias e na manutenção de serviços essenciais. Assim como o governador, o prefeito arregaçou as mangas e foi à luta. Utilizou suas redes como extensão da gestão, informando, orientando e, em muitos casos, funcionando como canal direto com a população.
Os registros mostram equipes nas ruas 24 horas por dia, atuação integrada entre Defesa Civil, infraestrutura, mobilidade e saúde, além da preparação de abrigos emergenciais. Há também um esforço de comunicação preventiva, com alertas sobre áreas alagadas, encostas e canais de contato em caso de emergência. Em visitas a bairros e comunidades, o prefeito aparece dialogando com moradores, oferecendo suporte e reforçando a presença do poder público.
Lucas fez questão de olhar nos olhos das pessoas e de se colocar à disposição – como no vídeo em que conversa com uma senhora de idade e deixou os telefones da sua equipe para que ela pudesse se comunicar com a Prefeitura.

Um aspecto comum aos dois gestores foi a transformação das redes sociais em ferramenta operacional. Mais do que divulgação institucional, elas passaram a cumprir papel de orientação, mobilização e, em certa medida, prestação de serviço. Em meio à desinformação e à ansiedade típicas de cenários de crise, essa comunicação direta ajudou a reduzir ruídos e dar visibilidade às ações em curso.
Força jovem
Há, nesse comportamento, um traço geracional evidente, mas que precisa ser tratado com cautela. Não se trata de afirmar superioridade ou inferioridade em relação a gestores mais experientes, e sim de reconhecer um estilo de atuação. A disposição para exposição constante, a rapidez na comunicação e a presença física em múltiplos pontos ao mesmo tempo compõem um modelo mais dinâmico, que dialoga com a velocidade das redes e com a demanda por respostas imediatas.
Por outro lado, a crise também expôs limites. A intensidade das chuvas e a extensão dos danos mostram que a capacidade de resposta, por mais ágil que seja, esbarra em desafios estruturais históricos: ocupação irregular, vulnerabilidade social, infraestrutura insuficiente e dependência de recursos federais para reconstrução. A atuação emergencial, embora essencial, é apenas uma etapa de um processo mais longo e complexo.
No balanço dos primeiros dias, o que se observa é uma tentativa consistente de presença e coordenação. Lucas Ribeiro e Léo Bezerra foram testados em condições extremas logo no início de suas gestões e responderam com alta visibilidade, mobilização de equipes e comunicação direta. Não há espaço, neste momento, para conclusões definitivas. Mas há elementos claros para análise: rapidez de reação, capacidade de articulação e disposição para assumir o protagonismo em um cenário adverso.
A Paraíba ainda enfrenta as consequências das chuvas. O trabalho de reconstrução, assistência e prevenção deve se estender por meses. E é nesse segundo momento, menos visível e mais técnico, que a avaliação sobre esses dois gestores tende a se consolidar.
