quarta-feira, 8 de abril de 2026
João Pessoa teve alta de 5,53% no valor da cesta básica em março, aponta o Dieese
08/04/2026 12:52
Da redação do ON com Ascom/DIeese e Agência Brasil © Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

No mês de março, a cesta básica ficou mais cara em todas as capitais brasileiras e também no Distrito Federal. Em março de 2026, o preço da cesta básica de João Pessoa apresentou alta de 5,53% em relação a fevereiro. O custo foi de R$ 652,95. Na comparação com março de 2025, o valor aumentou 4,16% e, nos três primeiros meses de 2026, 9,25%.

Entre fevereiro e março de 2026, sete dos 12 produtos que compõem a cesta básica tiveram aumento nos preços médios: tomate (40,52%), feijão carioca (9,93%), arroz agulhinha (2,93%), carne bovina de primeira (1,54%), farinha de mandioca (1,34%), manteiga (1,02%) e açúcar cristal (0,83%). Os outros cinco itens apresentaram queda de preço: café em pó (-1,85%), óleo de soja (-1,60%), pão francês (-0,82%), leite integral (-0,63%) e banana (-0,57%).

No acumulado dos últimos 12 meses, foram registradas elevações em cinco dos 12 produtos: tomate (41,01%), feijão carioca (21,87%), carne bovina de primeira (4,59%), pão francês (2,55%) e café em pó (0,27%). O preço de manteiga manteve-se estável. Os alimentos que apresentaram diminuição de preços foram: arroz agulhinha (-35,43%), açúcar cristal (-15,19%), banana (-10,06%), leite integral (-8,75%), farinha de mandioca (-4,35%) e óleo de soja (-1,39%).

No acumulado do ano, ou seja, entre dezembro de 2025 e março de 2026, sete produtos registraram alta: tomate (70,46%), feijão carioca (20,54%), banana (7,73%), farinha de mandioca (3,18%), carne bovina de primeira (2,58%), pão francês (2,48%) e manteiga (2,25%). Os seguintes itens apresentaram queda de preço: óleo de soja (-6,49%), leite integral (-5,58%), café em pó (-5,06%), arroz agulhinha (-3,00%) e açúcar cristal (-2,68%).

Em março de 2026, o trabalhador de João Pessoa remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 88 horas e 37 minutos para adquirir a cesta básica. Em fevereiro de 2026, o tempo de trabalho necessário havia sido de 83 horas e 58 minutos. Em março de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo de trabalho necessário era de 90 horas e 51 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em março de 2026, 43,55% da renda para adquirir a cesta. Em fevereiro de 2026 esse percentual correspondeu a 41,26% da renda líquida e, em março de 2025, a 44,65%.

No país
Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, levantamento que é divulgado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a principal elevação ocorreu em Manaus, onde o custo médio variou 7,42%, seguida por Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%) e Aracaju (6,32%).

No acumulado de 2026, todas as capitais registraram alta nos preços da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 0,77%, em São Luís, e 10,93%, em Aracaju.

Um dos principais responsáveis pelo aumento no custo da cesta no mês passado foi o feijão, que subiu em todas as cidades analisadas. O grão preto, por exemplo, subiu nas capitais do sul do país, além do Rio de Janeiro e Vitória, com percentuais que variaram entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Já o grão carioca, coletado nas demais capitais, variou entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém). Segundo a pesquisa, essa alta no feijão ocorreu por causa da restrição da oferta, já que houve dificuldades na colheita.

Também houve aumentos nos preços do tomate, da carne bovina de primeira e do leite integral.

Cesta mais cara do país

Em março, a capital que apresentou a cesta básica mais cara do país foi São Paulo, com custo médio de R$ R$ 883,94, seguida por Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35). No Norte e Nordeste do país, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42), São Luís (R$ 634,26) e Rio Branco (R$ 641,15).

Com base na cesta mais cara do país, que em março foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário-mínimo em dezembro deveria ser de R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo atual, estabelecido em R$ 1.621,00.

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