segunda-feira, 6 de abril de 2026
João Pessoa repete roteiro do Estado em nova posse no Poder Executivo
05/04/2026 21:00
Redação ON Reprodução

João Pessoa volta a viver, nesta segunda-feira, um cenário que já havia marcado a Paraíba poucos dias antes: a troca formal de comando no Executivo por força do calendário eleitoral. Depois da posse de Lucas Ribeiro no Governo do Estado, no último dia 2, agora é a vez da capital oficializar a ascensão de Léo Bezerra à Prefeitura, após a renúncia de Cícero Lucena para disputar o Governo da Paraíba. O evento será no Conventinho, no bairro do Varadouro, às 10h30.

Mais do que simples atos administrativos, as duas cerimônias revelam um roteiro institucional bem definido – e, ao mesmo tempo, expõem diferenças importantes entre o peso político e simbólico do Estado e do município.

O rito se repete

Assim como ocorreu no Governo do Estado, a posse em João Pessoa segue o chamado “rito em dois atos”, que mistura formalidade jurídica e simbolismo político. Primeiro vem a posse jurídica, realizada no Legislativo. É na Câmara Municipal que Léo Bezerra presta compromisso com a Lei Orgânica, assina o termo de posse e, a partir dali, se torna oficialmente prefeito.

Depois, ocorre a transmissão de cargo no Executivo, já no ambiente da Prefeitura. É o momento mais simbólico, em que há o reconhecimento público da passagem de comando, com presença de auxiliares, aliados e autoridades locais.

A rigor, roteiro é praticamente o mesmo visto na posse estadual. Mas o ambiente, o peso político e até o tom das cerimônias mudam. A principal diferença entre as duas posses está no alcance institucional.

No caso do Governo do Estado, a solenidade tende a ser mais robusta. Reúne representantes do Judiciário, do Governo Federal, lideranças políticas de diferentes regiões e até autoridades diplomáticas, quando o contexto permite. Há um caráter mais solene, histórico e, muitas vezes, mais carregado de simbolismo.

Já na Prefeitura, o foco é outro. A cerimônia se aproxima mais da realidade local. Vereadores, lideranças comunitárias e o secretariado municipal ganham protagonismo. O clima costuma ser mais administrativo, ainda que preserve a formalidade do cargo.

Outro ponto curioso está nos símbolos. Enquanto no Estado há a tradição clara da faixa governamental, no município isso é mais flexível. Em João Pessoa, o gesto mais relevante costuma ser a assinatura do livro de transmissão de cargo, que formaliza a mudança de comando.

Duas renúncias, um mesmo movimento eleitoral

As duas posses também dialogam diretamente com o mesmo pano de fundo: a eleição de outubro. Tanto João Azevêdo quanto Cícero Lucena deixaram seus cargos dentro do prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral. A regra é clara: quem pretende disputar outro cargo precisa sair seis meses antes do pleito.

O resultado é esse efeito em cadeia que a Paraíba presencia: mudanças simultâneas em diferentes níveis de poder, com novos protagonistas assumindo postos estratégicos em pleno ano eleitoral.

Se do ponto de vista jurídico as duas posses seguem um roteiro previsível, do ponto de vista político elas carregam mensagens importantes.

A posse de Lucas Ribeiro marcou a continuidade de um projeto estadual. Já a de Léo Bezerra, além de garantir a estabilidade administrativa da capital, reposiciona forças políticas locais em meio à disputa que se desenha.

Não se trata apenas de cerimônias. São movimentos calculados dentro de um tabuleiro maior, onde cada gesto – do juramento à assinatura – ajuda a desenhar o cenário das próximas eleições.

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