O almoço era de agradecimento pela campanha de 2026, mas a conversa avançou sobre 2028. Na casa do vereador Fernando Milanez Neto (MDB), o governador reeleito Lucas Ribeiro (PP), o senador eleito João Azevêdo e vereadores da oposição discutiram o futuro político de João Pessoa. Segundo participantes ouvidos sob reserva pelo O Norte Online, a possibilidade de João disputar a Prefeitura foi tratada com objetividade.
Formalmente, o encontro serviu para reconhecer o empenho dos parlamentares na eleição de Lucas e João. Nos bastidores, porém, entrou em discussão um projeto que poderá colocar o grupo em confronto com o prefeito Léo Bezerra, potencial candidato à reeleição. Um dos participantes confirmou que a sucessão municipal esteve no centro da conversa, mas ressaltou que qualquer decisão dependerá do próprio João Azevêdo.
O senador eleito ainda não se pronunciou sobre uma eventual candidatura. Lucas, por sua vez, já falou publicamente sobre essa possibilidade e lançou uma expressão com potencial de slogan: “João para cuidar de João”. A frase traduz a proposta de levar João Azevêdo à Prefeitura de João Pessoa, embora ainda não exista uma candidatura definida.
Do outro lado desse cenário, a bancada ligada a Léo Bezerra também exibe força. Nesta sexta-feira (23), Toinho Pé de Aço (Republicanos) anunciou apoio à candidatura de João Corujinha à presidência da Câmara Municipal, tornando-se o 21º parlamentar a aderir ao projeto. A maioria reforça o favoritismo de Corujinha para suceder Dinho e alimenta a expectativa de uma possível antecipação da eleição da Mesa Diretora.
Os 21 apoios na Câmara, contudo, não podem ser interpretados automaticamente como um bloco eleitoral para 2028. A escolha do comando do Legislativo reúne interesses próprios e pode aproximar vereadores que estarão em palanques diferentes na disputa pela Prefeitura. O almoço na casa de Milanez sinaliza uma possível alternativa à reeleição de Léo; a articulação em torno de Corujinha demonstra a força atual da bancada ligada ao prefeito. São duas movimentações que precisam ser acompanhadas separadamente, numa sucessão que já começou a ocupar as conversas políticas da capital.