quarta-feira, 1 de abril de 2026
João Azevêdo fala em decepção e tensão cresce na decisão de Cícero
01/04/2026 17:59
Redação ON Reprodução

Os instantes finais do prazo de desincompatibilização na Paraíba estão sendo marcados por tensão, incertezas e movimentos de bastidores que ajudam a redesenhar o tabuleiro político para 2026. Nesta quarta-feira, o principal fato político do dia foi a fala do governador João Azevêdo, que, ao fazer um balanço dos seus dois mandatos, acabou trazendo à tona uma mágoa que já vinha sendo percebida, mas ainda não havia sido verbalizada de forma tão direta: a decepção com o prefeito Cícero Lucena.

Durante entrevista, João não escondeu o desconforto com o rompimento político. Classificou a decisão de Cícero de deixar o grupo governista para disputar o Governo do Estado como uma “decepção política”, deixando claro que, na sua avaliação, os motivos apresentados pelo prefeito nunca foram convincentes. Ao mesmo tempo, fez questão de preservar o campo pessoal, lembrando que a relação entre os dois é anterior à política — um detalhe que, longe de suavizar o cenário, reforça o peso da ruptura.

A fala do governador ocorre justamente no momento em que ele próprio se prepara para deixar o cargo e disputar o Senado, fechando um ciclo de oito anos à frente do Executivo estadual. Ao prestar contas da gestão, João destacou avanços administrativos, investimentos e a consolidação de políticas públicas, mas o tom institucional acabou sendo atravessado pela realidade política: a fragmentação de um grupo que, até pouco tempo, caminhava unido.

E é nesse ambiente de tensão que cresce a expectativa em torno da decisão de Cícero Lucena. Inicialmente, a saída do prefeito da Prefeitura de João Pessoa estava prevista para esta quinta-feira, dentro do cronograma de desincompatibilização. No entanto, nas últimas horas, os bastidores ganharam força com a informação de que a renúncia pode ser adiada.

Segundo interlocutores, Cícero vem sendo alvo de uma forte pressão familiar para que reavalie a decisão de deixar o cargo. O prefeito, inclusive, participou de um culto ao lado da família e sinalizou estar vivendo um momento de reflexão, afirmando que está com o coração em fé. O gesto foi interpretado como indicativo de que a decisão não está tomada de forma definitiva.

Com isso, a tendência mais forte neste momento é de que qualquer movimento seja empurrado para o limite do prazo legal, que se encerra à meia-noite do próximo sábado, dia 4. Até lá, a dúvida permanece: Cícero confirma a candidatura ao governo ou recua diante das pressões e do cenário político adverso?

A resposta a essa pergunta é hoje uma das mais importantes da política paraibana. Isso porque a eventual saída do prefeito consolida de vez a divisão entre três forças distintas no estado: o grupo governista liderado por João Azevêdo e seu entorno, o bloco que se forma em torno de Cícero Lucena e a oposição, que tenta se reorganizar.

canal whatsapp banner

Compartilhe: