Faltando pouco menos de um ano para as eleições de 2026, a política paraibana entrou em modo permanente de vigília. Ninguém está dormindo. Governador, prefeitos, deputados e líderes partidários agem em tempo integral — cada gesto, cada reunião e cada palavra dita tem peso eleitoral. Nesse clima de movimentação intensa, o governador João Azevêdo (PSB) transformou os últimos dias antes de seu afastamento oficial do cargo em uma verdadeira maratona política.
Na noite da terça-feira (14), entre uma entrega e outra da agenda administrativa, João abriu espaço na residência oficial da Granja Santana para uma conversa reservada com a bancada do PSB na Assembleia Legislativa. O encontro, que durou pouco mais de duas horas, teve clima de balanço e projeção. O governador revisitou sua trajetória recente de alianças, especialmente a relação com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), até o rompimento político que reconfigurou o tabuleiro governista na capital.
Com a serenidade que lhe é característica, João ouviu atentamente cada deputado — Chico Mendes, Tião Gomes, João Gonçalves, Tanilson Soares e Hervázio Bezerra — e sondou, um a um, sobre o grau de compromisso com o nome do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) como eventual candidato à sucessão estadual. Lucas, que deve assumir o governo interinamente nos próximos dias, é apontado como o favorito de João para manter a continuidade administrativa e política do projeto socialista no Estado.
A pauta da sucessão, entretanto, não foi a única sobre a mesa. O governador aproveitou o momento para discutir também outra movimentação relevante nos bastidores: a indicação do secretário de Infraestrutura, Deusdeth Queiroga, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). A vaga será aberta ainda neste mês, com a aposentadoria do conselheiro Fernando Catão. João apresentou o nome de Deusdeth como opção natural e ouviu dos parlamentares os argumentos favoráveis e contrários à escolha.
De uma forma ou de outra, a mensagem do encontro ficou clara: ninguém no grupo de João Azevêdo está em compasso de espera. O governador, mesmo prestes a tirar uma breve licença, atua como se cada dia fosse decisivo para a construção do futuro político da Paraíba. A lógica é simples — quem cochila, perde espaço.
E, enquanto muitos tentam decifrar os próximos passos de Cícero Lucena após o rompimento, João consolida suas pontes internas. A reunião na Granja Santana foi mais um movimento calculado para manter o PSB coeso e atento. Afinal, em tempos de pré-campanha antecipada, o relógio político não para — e João Azevêdo, claramente, também não.