O Ministério Público da Itália emitiu parecer favorável à extradição da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), presa cautelarmente em Roma desde julho. A decisão representa um avanço no processo que pode resultar na devolução da parlamentar ao Brasil para cumprir as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), que representa o Estado brasileiro no caso, o parecer é um passo fundamental para garantir o cumprimento das decisões judiciais proferidas pelo STF. Zambelli foi detida pela Corte de Apelação de Roma após uma operação conjunta entre autoridades brasileiras e italianas. A Justiça italiana apontou “grave risco de fuga” caso ela permanecesse em liberdade.
A parlamentar havia deixado o Brasil logo depois de o Supremo decretar sua prisão preventiva, em cumprimento a uma sentença proferida em 4 de junho deste ano.
Duas condenações no STF
Carla Zambelli acumula duas condenações no Supremo Tribunal Federal. A primeira, que motivou sua fuga, foi de 10 anos e 8 meses de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Segundo a decisão, ela atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para acessar ilegalmente dados do órgão.
Na segunda condenação, Zambelli recebeu 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, após perseguir armada o jornalista Luan Araújo, apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo.
Além das penas, o STF determinou multa equivalente a 400 salários-mínimos da época e a perda do mandato parlamentar, a ser efetivada após o trânsito em julgado das sentenças.

