João Pessoa, terça-feira, 20 de outubro de 2026
Investir ou esperar? Os cálculos que o empresário deve fazer com Selic a 13,75% e a reforma tributária
19/10/2026 09:23
Redação ON Reprodução

A Selic está em 13,75% ao ano, após o Banco Central reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual em setembro, mas o crédito custa bem mais para as empresas. Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, divulgadas na terça-feira (29), a taxa média do crédito livre para pessoas jurídicas ficou em 24,2% ao ano em agosto. As projeções do mercado indicam queda gradual: o Boletim Focus de 14 de setembro previa a Selic em 13,75% no fim de 2026 e em 12% no fim de 2027.

Quem pensa em investir, contratar ou abrir uma unidade também precisa olhar para a reforma tributária. Nessa semana, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) prorrogou, pela Resolução 194/2026, de 30 de setembro para 30 de outubro o prazo para as empresas do regime escolherem se recolherão IBS e CBS dentro do Simples ou pelo regime regular. A escolha vale para o período de janeiro a junho de 2027.

Para Dema Oliveira, CEO da Goshen Land, empresa especializada em expansão de negócios, o erro mais comum é avaliar a expansão apenas pela taxa de retorno projetada. “É preciso perguntar quanto tempo o dinheiro ficará comprometido e qual será o impacto no caixa se a receita demorar a aparecer. Um projeto que parece muito bom no papel pode pressionar a operação se depender demais de crédito ou consumir uma reserva importante”, afirma.

Com juros altos, o prazo de recuperação do capital pesa mais: quanto mais tempo a empresa leva para recuperar o que investiu, maior a exposição a mudanças nos juros, nos custos e na demanda. Na prática, o efeito é direto. Uma empresa que financia R$ 500 mil para uma expansão, à taxa média de 24,2% ao ano, paga cerca de R$ 121 mil de juros por ano. Se o projeto gerar R$ 150 mil anuais de resultado, como planejado, a conta fecha, com pouca folga. Se a receita vier 30% abaixo do previsto, o resultado cai para R$ 105 mil e já não cobre os juros.

Para empresas do Simples Nacional, manter IBS e CBS dentro do regime ou recolhê-los pelo modelo regular pode afetar o aproveitamento de créditos pelos clientes, o fluxo de caixa e a relação comercial com outras empresas, sobretudo nas vendas entre empresas. A Receita Federal orienta que a decisão seja analisada de acordo com as características de cada negócio.

Quem optar pelo regime regular poderá desistir, em caráter irretratável, entre 3 de novembro e 20 de dezembro, depois da definição da alíquota da CBS para 2027 pelo Senado, prevista até 15 de dezembro.

Cinco perguntas antes de decidir

Quanto do caixa ficará comprometido?

Em quanto tempo o investimento começa a gerar retorno?

O projeto se sustenta se o faturamento crescer menos do que o previsto?

Qual será o impacto das novas regras tributárias sobre a operação?

A empresa tem caixa para atravessar alguns meses de receita abaixo do esperado?

Segundo Oliveira, responder a essas perguntas importa mais do que tentar antecipar o próximo movimento da Selic.

“A melhor decisão não é segurar o dinheiro até os juros caírem, nem acelerar qualquer projeto por medo de perder espaço para um concorrente. Se o investimento resolve um problema claro, tem demanda identificada e não coloca o capital de giro em risco, esperar pode custar mais caro. Quando a expansão depende de dívida cara e de receita otimista, preservar caixa pode ser a decisão mais responsável”, conclui.

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