A investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares abriu um novo flanco de desgaste para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Embora o paraibano não seja alvo da apuração nem acusado de qualquer irregularidade, o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) menciona que a servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, atuava com “pleno aval da Presidência da Casa” para operacionalizar indicações de emendas atribuídas ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
O episódio ganha peso político porque ocorre poucos dias depois de Hugo Motta criticar a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em outra investigação envolvendo emendas parlamentares. Na ocasião, o presidente da Câmara considerou exagerada a medida adotada pelo Supremo.
Agora, porém, o foco da investigação se aproxima da própria estrutura administrativa da Câmara. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Eduardo Cunha indicava emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar, contando com a atuação de servidores da Casa para operacionalizar os repasses. Cunha nega as acusações.
No relatório destacado por Flávio Dino, a PF afirma que “tudo indica que Tuca contava com pleno aval da Presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Eduardo Cunha. A servidora já exercia essa função durante a gestão de Arthur Lira e permaneceu no mesmo posto na administração de Hugo Motta.
As mensagens analisadas pelos investigadores incluem conversas de setembro de 2025, período em que Hugo Motta já ocupava a Presidência da Câmara. Por esse motivo, sua gestão passa a integrar o contexto temporal das apurações, ainda que o relatório não atribua participação direta ao parlamentar paraibano nem o inclua, até o momento, entre os investigados.
Para Hugo Motta, o caso representa um novo desafio político em meio à crescente pressão sobre o sistema de distribuição de emendas parlamentares. Depois de defender publicamente Valdemar Costa Neto no embate com o STF, o presidente da Câmara vê agora sua própria gestão citada em um relatório da Polícia Federal, o que tende a ampliar o escrutínio sobre os procedimentos adotados pela Presidência da Casa na liberação desses recursos.
