Uma mulher idosa foi alvo de ofensas após elogiar a criação do Farmácia Popular pelo governo Lula, nesta sexta-feira (23), em uma unidade da Pague Menos na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa. O episódio foi relatado ao portal O Norte Online por uma leitora que esteve no estabelecimento para buscar medicamentos e cuja identidade será preservada.
Segundo a mensagem, o comentário provocou uma reação agressiva de um rapaz que também aguardava na fila para receber remédios gratuitamente. Ao tentar acalmar a situação, a idosa teria explicado que era uma pessoa do sertão, tranquila. Uma mulher reagiu: “Do sertão? Você não me representa”. Outras duas aderiram à discussão, também com manifestações contra Lula. Entre as frases dirigidas à idosa estava: “Você precisa rever o seu caráter”.
A leitora contou que percebeu um clima tenso ao chegar e soube que a discussão acabara de acontecer. Ela não presenciou, portanto, toda a sequência. O relato descreve agressões verbais, sem elementos que permitam afirmar que houve violência física.
O componente político é central na narrativa: a hostilidade teria começado justamente com o elogio a Lula, e as manifestações contrárias ao presidente foram acompanhadas de ataques pessoais à idosa. A leitora identificou os participantes como bolsonaristas.
A contradição chama atenção: pessoas que aguardavam o mesmo benefício público teriam reagido com intolerância ao reconhecimento que uma beneficiária fez ao governante associado ao programa. Discordar da avaliação é legítimo. Transformar essa discordância em um julgamento sobre o caráter de quem a expressou ultrapassa o debate político.
Em Juripiranga, declaração de voto pode ter motivado agressão
Em Juripiranga, no interior da Paraíba, a suspeita de intolerância política envolve uma violência muito mais grave. Um comerciante foi agredido e encontrado sem roupas dentro de uma fossa de esgoto na quarta-feira (21). Segundo familiares, o ataque ocorreu após uma discussão em que a vítima afirmou que votaria em Lula, enquanto o conhecido com quem bebia pretendia votar em Flávio Bolsonaro. A família também apontou a possibilidade de homofobia.
Moradores ouviram os pedidos de socorro, e o comerciante foi encaminhado para atendimento médico com sinais de hipotermia. A Polícia Civil investiga o caso. A denúncia dos familiares coloca a divergência eleitoral entre as possíveis motivações do ataque, mas essa relação ainda depende de confirmação pela investigação.
Os dois relatos apontam hostilidade contra pessoas que manifestaram apoio a Lula, embora descrevam situações distintas e de gravidade muito diferente.
Nenhuma disputa eleitoral pode servir de licença para humilhar alguém numa fila ou atentar contra sua integridade física.