Um incêndio de grandes proporções atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite desta quarta-feira (7), e comprometeu laboratórios, equipamentos e pesquisas nas áreas de fármacos, informática e genética. Não houve vítimas. A causa do fogo ainda não foi esclarecida, e a universidade avalia a extensão dos prejuízos.
O episódio ganhou outro desdobramento após o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) afirmar que recebeu relatos de ameaças enviadas a estudantes horas antes do incêndio. Segundo ele, as mensagens mencionavam a possibilidade de “explodir o departamento” e faziam referência à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Os registros que circulam nas redes sociais são atribuídos a apoiadores do candidato, mas a autoria e a autenticidade não foram oficialmente confirmadas. Também não há confirmação de vínculo entre as supostas ameaças e o incêndio.
Jones Manoel anunciou que pretende solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal a investigação das mensagens e da possibilidade de ação criminosa. Ele pediu que estudantes que tenham recebido ameaças semelhantes preservem e apresentem os registros para contribuir com a apuração.
As chamas atingiram o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, na Cidade Universitária. Segundo a UFPE, o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas os produtos armazenados no local contribuíram para a rápida propagação do fogo. O imóvel foi isolado.
O reitor Alfredo Gomes acompanhou o trabalho dos bombeiros e informou que equipamentos, amostras e trabalhos acadêmicos foram atingidos. O edifício abrigava laboratórios vinculados ao Núcleo de Inovação Terapêutica, além de estruturas de informática e genética.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o MEC está em contato com a reitoria, acompanha o caso e colocou a pasta à disposição da universidade. O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou que a Procuradoria-Geral Federal designe uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e avaliar eventuais medidas jurídicas.
Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, houve fogo em um laboratório do Departamento de Física durante a manipulação de uma substância em equipamento de alta temperatura. No domingo (4), outro incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nenhum dos episódios anteriores deixou vítimas.
A UFPE manteve as atividades acadêmicas nesta quinta-feira (8), informando que o prédio atingido fica afastado da área central do campus. O imóvel permanecerá isolado enquanto equipes técnicas avaliam as condições da estrutura e os danos.

