O deputado federal paraibano Hugo Motta aparece entre os parlamentares com maior volume de emendas de comissão em 2025, ocupando a segunda posição no ranking nacional, com R$ 180,5 milhões indicados. Parte significativa desses recursos foi destinada a municípios politicamente alinhados ao projeto eleitoral de seu pai, Nabor Wanderley, que se movimenta como pré-candidato ao Senado Federal. Essa é a manchete de capa da edição impressa da Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (20).
O levantamento revela que quase metade das verbas indicadas por Motta foi direcionada a cidades cujos prefeitos já declararam apoio público à candidatura de Nabor. Ex-prefeito de Patos, ele chegou a afirmar que espera reunir o apoio de cerca de 150 dos 223 prefeitos da Paraíba em sua caminhada eleitoral.

As emendas de comissão, que até 2024 eram tratadas como “secretas” por não identificarem seus padrinhos políticos, passaram a ter maior transparência a partir de 2025, após decisões do Supremo Tribunal Federal. Com isso, tornou-se possível mapear com precisão a atuação de cada parlamentar na destinação dos recursos.
O campeão no volume de indicações foi o deputado Julio Arcoverde, com R$ 244,3 milhões. Em seguida, aparece Hugo Motta. Logo depois vem Marcos Pereira, com R$ 138,2 milhões. Todos fazem parte de um seleto grupo de sete parlamentares que concentraram mais de R$ 100 milhões cada em emendas — um contraste expressivo com a média dos demais deputados, que ficou em torno de R$ 14 milhões.
No total, esse grupo restrito controlou cerca de um quinto dos R$ 7,5 bilhões distribuídos pelas comissões da Câmara ao longo do ano. A concentração de recursos também se estende às lideranças partidárias de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PL, que, juntas, indicaram mais de R$ 930 milhões — muitas vezes sem a identificação clara do autor final da emenda, o que levanta questionamentos sobre transparência, apesar de decisões recentes do STF, incluindo posicionamentos do ministro Flávio Dino.
Nos bastidores, parlamentares ouvidos pela reportagem relatam insatisfação com a desigualdade na divisão das verbas. Segundo eles, havia um acordo informal para que cada deputado da base governista tivesse direito a indicar cerca de R$ 10 milhões, com variações moderadas para cargos de liderança. O que se verificou, porém, foi uma diferença muito mais acentuada, beneficiando nomes com maior peso político.
As críticas também apontam impacto direto no cenário eleitoral de 2026, já que o volume de recursos pode influenciar alianças e fortalecer bases municipais. A fragmentação da votação das emendas ao longo do ano teria dificultado a percepção imediata dessa disparidade.
Além das emendas de comissão, os parlamentares ainda contam com emendas individuais, de valor igualitário, e emendas de bancada estadual, voltadas a projetos estruturantes. Ainda assim, é o volume concentrado nas mãos de poucos que tem chamado mais atenção no debate político atual.
