O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem enfrentado uma sequência de problemas políticos que se acumulam no mesmo momento em que carrega uma missão pessoal: alavancar o pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley, como candidato ao Senado em 2026. Nabor depende fundamentalmente do prestígio e do capital político do filho, já que sua força eleitoral dificilmente ultrapassa os limites do sertão paraibano.
Anistia e condenações no STF
Motta já vinha sob pressão para avançar com o projeto da Anistia, defendido pela base bolsonarista. A situação se complicou ainda mais depois da condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete réus pelo STF. Entre eles, o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), sentenciado a 16 anos de prisão e à perda do mandato. Antes disso, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) também já havia sido condenada e destituída do cargo por decisão da Corte. Cabe a Motta administrar a crise institucional: de um lado, o entendimento jurídico do Supremo; do outro, a pressão política para deixar o plenário da Câmara decidir sobre os mandatos.
Aumento de cadeiras na Câmara
Outro abacaxi espinhoso é a articulação em torno do projeto que amplia de 513 para 531 o número de deputados federais. Lula vetou a medida, mas Motta tenta costurar apoios no PL e no PT para derrubar a decisão até o prazo de 2 de outubro. O impasse é grande: a redistribuição de cadeiras, baseada no Censo do IBGE, pode tirar duas das 12 vagas atuais da Paraíba na Câmara Federal e até seis assentos na Assembleia Legislativa. A pressão é ainda maior porque 85% da população desaprova o aumento, segundo pesquisa Genial/Quaest.
Entre o Centrão e o Planalto
Nos bastidores, o PL promete votos adicionais para apoiar Motta, desde que avance também com a Anistia. O PT, dividido, já mostrou disposição parcial de colaborar. Enquanto isso, o governo Lula enfrenta suas próprias divisões: a área política defende que o Congresso resolva a questão, mas a equipe econômica alega risco de violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O caso Eduardo Bolsonaro
Esse é um assunto que já era para ter sido resolvido, mas continua pendente. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acumula pedidos de cassação no Conselho de Ética da Câmara, apresentados por partidos como PT e PSOL, que o acusam de violar o decoro e abandonar o mandato. A análise estava prevista para o fim de agosto, mas não avançou. O ponto mais polêmico é que, mesmo após o fim da licença em julho, ele segue nos Estados Unidos, o que seus opositores veem como atuação contra os interesses do país. Apesar das pressões, líderes do Conselho de Ética avaliam que ainda é difícil obter a cassação, já que não há condenação formal que sustente a perda imediata do mandato.
Um jovem em maratona de encrencas
Aos 36 anos, Hugo Motta acumula desafios que testam sua capacidade de liderança: administrar pressões da direita bolsonarista, negociar com o governo Lula e ainda manter fôlego para pavimentar o caminho eleitoral do pai. Uma maratona de abacaxis para um presidente da Câmara que não pode se dar ao luxo de tropeçar.

