O deputado paraibano Hugo Motta (Republicanos) avançou na articulação para permanecer na presidência da Câmara. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o PSB consolidou nesta quarta-feira (21) o apoio à sua reeleição, somando-se ao PDT, que já havia fechado posição na semana passada. O movimento busca impedir que o PL assuma o comando da Casa a partir de 2027.
As manifestações de apoio dão sequência à movimentação noticiada pelo O Norte Online na segunda-feira (19). Na ocasião, com base em informações do Estadão, o portal mostrou que lideranças de centro e centro-direita procuravam atrair partidos de esquerda para assegurar a recondução de Motta, diante da resistência do PL ao parlamentar paraibano.
Motta já havia conquistado espaço no próprio Centrão. Antonio Brito (PSD-BA) comunicou que não disputaria o cargo, abrindo caminho para o apoio do partido de Gilberto Kassab. Na quarta-feira passada (14), representantes de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e da federação PSDB-Cidadania anunciaram a manutenção do bloco e o apoio à permanência do atual presidente.
A aproximação reúne forças com diferenças políticas, mas interessadas em preservar influência sobre a agenda legislativa. Para os aliados de Lula, evitar uma presidência alinhada ao bolsonarismo também tem peso nos dois possíveis desfechos da eleição: garantir condições de governabilidade ao petista, caso seja reeleito, ou manter um contraponto a um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O apoio de PSB e PDT fortalece essa construção, mas não encerra a disputa. O desafio de Motta continua sendo transformar os compromissos partidários em votos dos deputados. A novidade é que a aliança entre Centrão e esquerda, apresentada como objetivo da articulação, começa a ganhar contornos mais definidos.