O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), desembarca neste sábado (04) em João Pessoa para comandar uma reunião com dirigentes, deputados e vereadores do partido. No encontro, que deve oficializar o rompimento do Republicanos com a gestão do prefeito Cícero Lucena, a meta de Motta é reforçar a unidade da legenda em torno da aliança com o governador João Azevêdo e, principalmente, consolidar o nome de seu pai, Nabor Wanderley, como candidato ao Senado em 2026.
Motta já deixou claro em entrevistas recentes: quem permanecer no Republicanos terá que seguir o alinhamento com João Azevêdo, o mesmo que indicou Lucas Ribeiro (PP) como candidato ao governo e que tentará também uma vaga no Senado. A pressão do deputado sobre prefeitos e parlamentares da capital deve se intensificar a partir desta reunião.
Mas a grande questão que se impõe é: qual a garantia de que essa fidelidade local será respeitada se o Republicanos nacional tende a marchar em outra direção?
Pragmatismo em xeque
O Republicanos vive um paradoxo. No plano estadual, Hugo Motta prega coerência e fidelidade a João Azevêdo, aliado firme do presidente Lula. No plano nacional, porém, a cúpula da legenda acena para uma candidatura própria à presidência da República em 2026, com o governador paulista Tarcísio de Freitas como o nome mais cotado.
Essa equação gera dúvidas: como convencer aliados locais a se manterem no grupo de João Azevêdo se a orientação nacional for caminhar contra o governo Lula?
O Republicanos em 2026
Hoje, o partido é um exemplo de pragmatismo da centro-direita brasileira:
• Tarcísio de Freitas desponta como ativo mais valioso do Republicanos, herdeiro político de Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, figura capaz de dialogar com o centro.
• No Congresso, a legenda tem votado majoritariamente com o governo Lula, ocupando cargos e espaços na Esplanada.
• No bolsonarismo, mantém raízes e proximidade, mas tenta construir autonomia para além da polarização.
Em resumo: enquanto Hugo Motta pede alinhamento incondicional na Paraíba, seu partido nacional se move em múltiplas direções, mirando a Presidência com um candidato de direita e negociando espaço com o próprio governo Lula.
Contradição exposta
A reunião deste fim de semana será, portanto, mais do que um ato de unidade interna. Será o teste de até onde Hugo Motta conseguirá garantir que a militância local do Republicanos siga colada em João Azevêdo — mesmo quando a orientação de Brasília pode apontar para o caminho oposto.