João Pessoa, sábado, 31 de outubro de 2026
Hugo Motta amplia protagonismo ao articular reforma eleitoral para 2034
30/10/2026 18:46
Redação ON Reprodução

O paraibano Hugo Motta (Republicanos) quer colocar sua gestão na presidência da Câmara à frente de uma mudança nas regras das eleições brasileiras. Ao articular a adoção do voto distrital misto a partir de 2034, o deputado amplia seu protagonismo nacional e movimenta uma agenda que pode fortalecer sua busca pela reeleição ao comando da Casa no início de 2027.

Motta pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana para tentar garantir o apoio do PT à reforma eleitoral. A intenção é aprovar ainda neste ano a proposta de emenda à Constituição que estabelecerá o novo modelo.

Na quarta-feira, 28, o presidente da Câmara reuniu representantes de partidos que somam 289 deputados. É uma base expressiva, mas ainda insuficiente para aprovar uma PEC, que exige pelo menos 308 votos em dois turnos. A aproximação com Lula tem, portanto, um objetivo concreto: transformar a articulação em maioria constitucional.

Pelo sistema distrital misto em discussão, o eleitor teria dois votos: um para o candidato de seu distrito e outro para um partido. A votação nas legendas definiria a proporção de cadeiras de cada sigla, considerando os representantes eleitos diretamente nos distritos e completando as vagas com candidatos das listas partidárias.

A mudança, porém, enfrenta resistência no PT. O deputado Rogério Correia (PT-MG) defende a manutenção do sistema proporcional, com votação em lista partidária, e avalia que o modelo distrital misto pode reduzir a diversidade de representação no Congresso.

Também permanece em debate o caminho até 2034. Entre as alternativas de transição estão a manutenção do sistema atual com limites à atuação dos chamados puxadores de votos e o distritão misto, que reservaria metade das vagas aos mais votados e metade a listas partidárias.

O deputado Domingos Neto (PSD-CE), apontado como relator da PEC, argumenta que o prazo daria aos partidos oito anos para se organizar. Os detalhes da transição deverão ser negociados durante a tramitação.

Para Motta, a discussão representa também um teste de liderança. Ao reunir diferentes forças políticas e buscar a interlocução direta com o Palácio do Planalto, o parlamentar paraibano procura demonstrar capacidade de construir acordos sobre uma das pautas mais sensíveis do Congresso: as regras pelas quais seus próprios integrantes são eleitos.

Se conseguir converter essa articulação em apoio efetivo, chegará à disputa pelo comando da Câmara com um argumento político de peso. Antes disso, terá de superar as divergências entre os partidos e reunir os votos que ainda faltam.

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