segunda-feira, 27 de julho de 2026
Hotel Tambaú segue parado, leilão virou guerra sem fim – e o verão chega de novo sem solução
03/11/2025 05:14
Por Marcondes Brito Reprodução

O verão bate à porta e João Pessoa caminha para mais uma alta estação com o Hotel Tambaú – um dos equipamentos turísticos mais emblemáticos do Nordeste – entregue à ferrugem, aos pombos e ao mar. O destino daquele círculo de concreto fincado sobre as águas continua refém de recursos judiciais, promessas empresariais e declarações inflamadas.

E a pergunta, que se renova a cada dezembro, fica de pé: até quando?

Em maio deste ano, a Quarta Turma do STJ, no processo AREsp 2.217.983, decidiu validar o segundo leilão do hotel. Naquele julgamento, de forma unânime, os ministros reconheceram o Grupo AG Hotéis e Turismo S/A (hoje Grupo Occean) como legítimo proprietário, arrematante por R$ 40,6 milhões no leilão de 4 de fevereiro de 2021.

A decisão foi comemorada pelo grupo potiguar – que anunciou em seguida um plano com números exuberantes: investimento superior a R$ 100 milhões, início das obras ainda em 2025 e reabertura no fim de 2026, com direito a Réveillon histórico em 2027.

Mas… já estamos em novembro.

Não há sinal de obra. Não há retroescavadeira. Não há placa de obra. Não há tapume novo.

A realidade é a de sempre: abandono.

Enquanto isso, o outro lado da história – a Ampar Hotelaria, que se diz vencedora do primeiro leilão – continua recorrendo. E continua se pronunciando. Nesta última semana, o advogado e comunicador paraibano Rui Galdino voltou a se manifestar publicamente, dizendo que continua acreditando na reversão do julgamento.

No vídeo que disponibilizamos aqui, Galdino reconstrói sua versão ponto a ponto: ele afirma que venceu o primeiro leilão; acusa o grupo rival de ter desistido, depois ter participado do segundo leilão sem cumprir exigências do edital; critica o suposto lance dado após o encerramento do horário; sustenta que o hotel chegou a ser liquidado por ele; e responsabiliza essa pendência judicial pelos anos de deterioração do prédio.

É um imbróglio que já dura três anos –  e que, ao que tudo indica, ainda não terminou.

Para o cidadão comum, porém, a questão não é jurídica. É visual. É concreta.

A orla de João Pessoa vive lotada no verão. A foto clássica no Busto de Tamandaré continua sendo tirada milhares de vezes. Os bares vivem cheios. Os hotéis do Cabo Branco e de Tambaú lotam.

E no meio desse cenário de cartão-postal, há um gigante fechado.

O Tambaú segue lá – corroendo.

João Pessoa perdeu temporadas. Perdeu potencial turístico. Perdeu eventos. Perdeu receita.

A dúvida é objetiva: o STJ decidiu em maio. Comemorou-se uma vitória. Vendeu-se um cronograma triunfal. Prometeu-se um réveillon 2027 épico.

Mas passaram seis meses…

E a reforma não começou.

Se o hotel precisa de dois anos e meio para ser reconstruído, já não estamos atrasados?

Ainda há tempo para cumprir o calendário prometido?

A Paraíba, de novo, chega ao verão olhando para um dos seus símbolos – e vendo a maresia corroer esse cartão postal belo e inigualável.

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