A avalanche de más notícias envolvendo a Pixbet ganhou mais um capítulo. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, determinou a suspensão de 14 sites operados por seis empresas, entre eles Pixbet, GanheiBet e Bet da Sorte, todos pertencentes à Pixbet Soluções Tecnológicas. A nova punição ocorre poucos dias depois de a empresa ser alvo da Operação Arena, da Polícia Federal, e amplia uma crise que parece cada vez mais difícil de ser revertida.
As medidas cautelares foram determinadas na sexta-feira (14), com cumprimento imediato. Segundo as decisões, as irregularidades identificadas colocam em risco os apostadores, o trabalho de fiscalização do governo e o funcionamento do mercado regulamentado de apostas.
Com a suspensão, as plataformas estão proibidas de receber novas apostas. O acesso deve ser mantido somente para que os clientes possam retirar os valores depositados. A punição permanecerá válida até a conclusão dos processos administrativos e a comprovação de que todas as exigências regulatórias foram cumpridas.
As empresas citadas ainda não se manifestaram. O espaço permanece aberto.
Pixbet recebe duas punições
A Pixbet foi atingida por duas medidas cautelares, aplicadas por motivos diferentes. Uma delas aponta que a empresa descumpriu as normas de jogo responsável ao não possuir ou implementar ferramentas para acompanhar o comportamento dos apostadores e identificar pessoas com potencial de desenvolver problemas relacionados às apostas.
A SPA também afirmou que a ausência desses mecanismos coloca em risco os usuários e o próprio mercado regulamentado.
A segunda medida foi aplicada porque a Pixbet não teria encaminhado informações consideradas necessárias ao monitoramento e à fiscalização realizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas.
As duas punições alcançam os mesmos sites operados pela empresa: Pixbet, GanheiBet e Bet da Sorte.
Operação da PF agrava crise
A suspensão amplia o cerco sobre a Pixbet, que foi alvo, na semana passada, da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de participação em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas.
A empresa também possui forte influência política e econômica no interior da Paraíba. O empresário Ernildo Junior, dono da Pixbet, apoia pelo menos seis candidatos nas eleições deste ano, com candidaturas a cargos no Estado e em Brasília.
Outros sites suspensos
Além das três plataformas ligadas à Pixbet, o Ministério da Fazenda suspendeu outros 11 sites de apostas.
A Zeroumbet Plataforma Digital teve suspensos os sites Zeroum, Sportvip e Energia. A Enseada Serviços e Tecnologia foi atingida pela suspensão da Kbet.
A Select Operations teve as plataformas MMA, Betvip e Papi Games suspensas. A punição contra a Nexus International alcançou o site Megaposta.
Nos casos dessas quatro empresas, o governo apontou a falta de envio de informações necessárias ao monitoramento e à fiscalização do mercado.
A RR Participações e Intermediações de Negócios teve suspensos os sites Multibet, Ricobet e BRXBet. Segundo a SPA, a empresa não apresentou documentos necessários para esclarecer seu verdadeiro quadro societário.
A ausência da documentação, de acordo com o órgão, prejudicou a análise de requisitos relacionados à habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista, idoneidade, capacidade econômico-financeira e qualificação técnica da empresa.
Processos começaram em 2025
As medidas foram tomadas no âmbito de processos instaurados pelo Ministério da Fazenda desde agosto de 2025.
Desde o início do funcionamento do mercado regulamentado, em janeiro de 2025, até junho deste ano, a SPA concluiu 39 processos administrativos contra empresas de apostas. Desse total, 32 terminaram com advertências e sete resultaram na aplicação de multas.
No caso das seis empresas atingidas agora, a suspensão permanecerá em vigor até que os processos sancionadores sejam concluídos e a Secretaria de Prêmios e Apostas reconheça o cumprimento das normas exigidas.
