O governo brasileiro reagiu neste sábado a publicações do vice-secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, e da Embaixada americana no Brasil, que, sem citar nominalmente Alexandre de Moraes, afirmam que “um juiz” teria “usurpado o poder” da Suprema Corte. Em nota, o Executivo classificou as declarações como “um novo ataque frontal à soberania” e à democracia que derrotou uma tentativa de golpe de Estado, garantindo que “não se curvará a pressões, venha de onde vierem”. A publicação da embaixada, em português, aparenta ser tradução do texto de Landau, e ambas estão vinculadas no X (antigo Twitter). O Itamaraty chamou as afirmações de “falsas”. As mensagens foram divulgadas um dia após o encarregado de Negócios da embaixada, Gabriel Escobar, ser convocado para dar explicações sobre nota anterior com ameaças a aliados de Moraes. Escobar é o atual representante oficial dos EUA no Brasil, já que o presidente Donald Trump ainda não nomeou novo embaixador após a saída de Elizabeth Frawley Bagley.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a declaração de Landau como “arrogante” e “gravíssima ofensa ao Brasil, ao STF e à verdade”. Ela também criticou a família Bolsonaro e afirmou que, se os Estados Unidos quiserem restaurar a amizade histórica com o Brasil, devem respeitar a soberania, as leis e a Justiça brasileiras. As publicações de Landau e da embaixada ressaltam a importância da separação de poderes para garantir a liberdade, mas alegam que isso “não significa nada” se um deles tiver meios de intimidar os demais. Segundo o texto da embaixada, “um único ministro do STF usurpou poder ditatorial ao ameaçar líderes dos outros poderes, ou suas famílias, com detenção, prisão ou outras penalidades”. O documento afirma ainda que a situação “é sem precedentes” e que o suposto “usurpador” se reveste do Estado de Direito enquanto os outros poderes “afirmam estar impotentes para reagir”.
Na semana passada, o governo dos Estados Unidos incluiu Alexandre de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky, instrumento usado para punir estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou de corrupção em larga escala.


