Governo Lula reage à derrota no Congresso e ameaça cortar emendas de quem votou contra; bancada da Paraíba se divide
09/10/2025 05:25
Redação ON Reprodução

O governo Lula reagiu com força à derrota sofrida na Câmara dos Deputados, onde a Medida Provisória que aumentava a taxação sobre apostas esportivas, fintechs e ativos financeiros foi retirada de pauta e, na prática, sepultada. A resposta veio rápida: a equipe econômica deve bloquear entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões em emendas parlamentares, atingindo especialmente deputados que votaram contra o governo. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, admitiu que o contingenciamento é inevitável diante do rombo na arrecadação causado pela derrubada da MP. O episódio expôs mais uma fissura entre o Planalto e sua base aliada, além de escancarar a força da aliança entre o PL de Jair Bolsonaro e o Centrão, que se uniram sob o discurso de combate ao aumento de impostos.

Na Paraíba, a bancada se dividiu. Gervásio Maia (PSB), Luiz Couto (PT), Murilo Galdino (Republicanos), Romero Rodrigues (Podemos) e Wilson Santiago (Republicanos) votaram contra a retirada de pauta, portanto, a favor de manter a MP em análise. Já Cabo Gilberto Silva (PL) e Wellington Roberto (PL) se posicionaram a favor da retirada, alinhando-se à oposição e contribuindo para a derrota do governo. Outros quatro parlamentares — Aguinaldo Ribeiro (PP), Damião Feliciano (União Brasil), Mersinho Lucena (PP) e Ruy Carneiro (Podemos) — não registraram presença na votação.

A Medida Provisória, apelidada pela oposição de “MP Taxa Tudo”, previa o aumento da tributação de empresas de apostas esportivas e de tecnologia financeira, além de incidir sobre títulos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). O objetivo era reforçar o caixa federal e garantir recursos para bancar promessas do governo, entre elas a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A derrota no plenário foi interpretada como um novo revés político para o Palácio do Planalto, que agora aposta em uma ofensiva nas redes sociais para culpar o Congresso por impedir a taxação dos mais ricos.

A nova campanha digital do PT, que começa a circular nesta quinta-feira, reforça essa linha de ataque com o slogan “Que país você quer?”, contrapondo o “país dos privilégios dos bilionários” ao “país que zera o imposto de quem ganha menos”. Paralelamente, ministros e articuladores políticos tentam conter o desgaste interno e reaproximar parlamentares da base, numa tentativa de evitar que a crise fiscal se transforme também em uma crise de governabilidade.

canal whatsapp banner

Compartilhe: