Governo e Prefeitura: o dia em que o poder mudou e a comunicação não
03/04/2026 06:11
Redação ON Reprodução

A quinta-feira foi de terremoto político na Paraíba. Prefeitura de João Pessoa e Governo do Estado trocaram de comando em poucas horas, com saídas estratégicas, novos ocupantes e um redesenho imediato do tabuleiro para 2026. O fato já está dado, absorvido e em pleno andamento.

Mas é justamente depois do impacto que surge um detalhe menos óbvio – e talvez mais revelador. Enquanto o poder muda de mãos, a comunicação permanece onde sempre esteve.

No Governo do Estado, a permanência de Nonato Bandeira na Secretaria de Comunicação não é apenas uma escolha administrativa. É um sinal. Em meio à transição, opta-se por manter quem conhece os códigos, os atalhos e, principalmente, a narrativa. Nonato carrega uma trajetória híbrida, entre redação e bastidor político, com passagem inclusive pela vice-prefeitura de João Pessoa.

Nonato na manchete da última edição impressa do Jornal O Norte

Há, inclusive, uma coincidência que ajuda a ilustrar essa caminhada. Na última edição impressa do jornal O Norte, em fevereiro de 2012, a manchete principal tratava de uma possível candidatura sua à Prefeitura da capital. Mais de uma década depois, ele segue no centro do poder – não como candidato, mas como operador da comunicação de um governo em transformação.

Procurado, foi econômico ao extremo. Disse apenas: “Jornalista não é notícia”. A frase, que poderia encerrar o assunto, na prática o amplia.

Porque, na Prefeitura de João Pessoa, o roteiro se repete. A mudança no comando com a saída de Cícero Lucena e a chegada de Léo Bezerra não deve alterar, ao menos por enquanto, quem cuida da comunicação. A informação que chegou à redação de O Norte Online é de que Janildo Jerônimo da Silva será mantido no cargo, embora ainda sem confirmação oficial.

Janildo preferiu não falar. Silêncio calculado, típico de quem entende que, em momentos assim, palavra fora de hora pode virar ruído.

Nascido em Brasília, mas com formação pela UEPB e carreira construída entre redações locais e estruturas institucionais, ele também representa esse perfil cada vez mais comum: o jornalista que deixa de apenas narrar os fatos para ajudar a organizá-los.

O fato é que a quinta-feira que virou a política paraibana do avesso deixou uma lição curiosa: os protagonistas mudam. Os cargos trocam de dono. O poder se rearranja. Mas quem molda a forma como tudo isso chega ao público continua exatamente no mesmo lugar.

E, gostem ou não, acabam sendo notícia.

canal whatsapp banner

Compartilhe: