A crise de violência no Rio de Janeiro abriu uma nova frente de atuação para os governadores de direita, que veem na pauta da segurança pública uma oportunidade de união e de distanciamento da agenda bolsonarista da anistia. Liderados por Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, eles promoveram duas reuniões nos últimos dias, buscando resgatar a articulação ensaiada em agosto, mas que havia perdido fôlego.
Na primeira reunião, restrita, participaram Zema, Jorginho, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Mauro Mendes (União Brasil-MT). Três deles são vistos como presidenciáveis, embora apenas Tarcísio negue essa intenção e diga focar na reeleição. Jorginho organizou depois um encontro mais amplo, no Rio de Janeiro, com o governador Cláudio Castro (PL), para discutir medidas conjuntas e oferecer apoio diante da operação que deixou ao menos 119 mortos — a mais letal da história fluminense.
Os governadores e seus aliados defenderam a ação policial. O presidente do PT, Edinho Silva, reagiu dizendo ser “lamentável que montem palanque sobre os corpos de centenas de mortos”. Já os governadores insistiram em destacar o tema como “pauta da população”, e não ideológica. Caiado afirmou que “o PT sempre foi complacente com o crime”, enquanto Zema disse que “as facções estão tomando conta do Brasil”.
Eduardo Leite (PSD-RS) destoou parcialmente, pedindo que o tema não vire “campo de guerra ideológica” e cobrando do governo federal mais coordenação. Ele afirmou que a segurança deve ser “prioridade absoluta do presidente”.
No entorno de Tarcísio de Freitas, o momento é visto como oportunidade para retomar protagonismo político. Deputados aliados avaliam que a direita pode reconquistar apoio popular com propostas concretas contra o crime, em contraste com o discurso da anistia. Nesta linha, o governador autorizou o retorno do secretário Guilherme Derrite (PP) à Câmara para relatar o projeto que classifica facções criminosas como organizações terroristas — uma bandeira que volta a ganhar força no campo conservador.

