Governador João Azevêdo teria fechado chapa para 2026; Hervázio contesta e desmente
11/06/2025 13:54
Redação ON Reprodução

Uma nova e forte movimentação política agitou o cenário sucessório na Paraíba neste início de semana. Segundo informação divulgada pelo radialista Bruno Pereira e amplamente repercutida em blogs e programas de rádio do estado, o governador João Azevêdo (PSB) teria, em reunião realizada no último fim de semana em Campina Grande, batido o martelo sobre a formação da chapa governista para as eleições de 2026.

De acordo com a apuração, Azevêdo teria comunicado a aliados e lideranças, durante um encontro reservado com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que vai disputar uma das vagas ao Senado. Com isso, o atual vice-governador Lucas Ribeiro (PP) assumiria o governo em abril do próximo ano e sairia como candidato à reeleição. O grupo ainda incluiria o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), na condição de vice na chapa, e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos) — pai de Hugo Motta —, como nome lançado para a segunda vaga de senador, caso a composição se confirme.

O encontro, que contou com a presença de poucas figuras da cúpula política estadual — entre elas o deputado estadual Felipe Leitão e outras lideranças próximas ao núcleo governista —, teria selado o alinhamento entre PSB, PP e Republicanos em torno da nova configuração.

Reação e bastidores

A notícia, contudo, foi recebida com cautela e até desmentida por setores da própria base. O deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB), considerado um aliado do governo, foi à tribuna da Assembleia Legislativa para afirmar que a suposta definição não representa a posição oficial do governador. Segundo ele, após conversar diretamente com João Azevêdo e também com o secretário de Comunicação, Nonato Bandeira — um dos principais articuladores políticos do grupo —, foi informado de que não há qualquer martelo batido.

Nos bastidores, a resistência de Hervázio está ligada, entre outros fatores, à defesa da candidatura do atual prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), ao governo estadual. Pesquisas recentes teriam apontado Cícero em posição de destaque na preferência do eleitorado para suceder Azevêdo. Por esse suposto acerto, segundo Hervázio, Cícero estaria sendo “escanteado e isolado”.
Registre-se que há um componente pessoal na defesa enfática de Hervázio ao nome de Cícero: o deputado estadual pelo PSB é pai do vice-prefeito da capital, Léo Bezerra, que assumiria a prefeitura caso Cícero deixasse o cargo para disputar o governo, abrindo caminho para futuros projetos políticos do filho, que é visto como um nome promissor dentro do PSB.

Um quadro ainda indefinido

O movimento divulgado pelo radialista Bruno Pereira acabou intensificando o debate político em todas as emissoras de rádio e programas especializados, com análises sobre a complexa engenharia política da sucessão estadual. Ao mesmo tempo em que o suposto acordo sinalizaria uma chapa de peso, ele também escancara as divisões internas dentro da base governista — hoje fragmentada entre diferentes interesses familiares, partidários e eleitorais.

Com tantas versões circulando, há quem diga que o cenário está longe de uma definição final. Como tem sido praxe na política paraibana, os próximos meses prometem novas rodadas de conversas, ajustes e, possivelmente, reviravoltas.


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