O ministro Gilmar Mendes questionou formalmente a condução do julgamento na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou a decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em manifestação dirigida ao presidente do colegiado, Luiz Fux, o decano acusou abertamente a ocorrência de um “prévio ajuste – não comunicado à parcela dos demais colegas integrantes do colegiado” entre Fux e o ministro André Mendonça para acelerar o resultado.
Gilmar apontou atipicidade no ritmo da votação. O ministro ressaltou que, após ter pedido vista aos 10h01 para analisar a peça de 22 páginas trazida por Mendonça, em questão de minutos os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux protocolaram seus votos referendando o afastamento do chefe da PF. “Com a experiência de velho magistrado, de tantos anos, eu sabia que algo ia acontecer. Que isso não poderia ocorrer. Não se faz! O sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa”, protestou o decano.
As acusações de articulação de bastidor e motivação política provocaram forte reação de André Mendonça. O magistrado rebateu o colega e acusou a atuação da corporação policial de excessos contra o Poder Judiciário: “Nós temos hoje uma PF paralela! Com monitoramento de ministros. Não pense que Vossa Excelência está a salvo, não, senhor ministro”, rebateu Mendonça, negando qualquer irregularidade em sua conduta e cobrando respeito do decano.
Luiz Fux também saiu em defesa do rito adotado pela Turma e justificou a urgência em chancelar a decisão de Mendonça. Fux alegou que a medida buscava conter uma “anomalia” e criticou a postura da Polícia Federal. “Eu sou um ministro há 16 anos. Eu nunca vi a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal Federal”, declarou Fux ao justificar a rápida convergência de votos entre os magistrados.

