João Pessoa, sábado, 24 de outubro de 2026
Geração Sanduíche: quando o salário precisa sustentar três gerações
24/10/2026 16:16
Redação ON Reprodução

Quando o assunto é inadimplência, é comum imaginar um consumidor jovem, recém-chegado ao mercado de trabalho e ainda aprendendo a administrar o próprio dinheiro. Os números, porém, contam uma história diferente. No Brasil, quem mais aparece entre os consumidores com nome restrito está no meio da vida adulta: em junho de 2026, brasileiros entre 41 e 60 anos representavam 35,7% do total de 83,7 milhões de pessoas que estavam inadimplentes no país, segundo a Serasa.

A explicação para esse cenário pode estar menos em um excesso de consumo individual e mais na quantidade de responsabilidades que se acumulam nessa fase da vida. Para uma parcela desses brasileiros, o orçamento precisa dar conta simultaneamente das próprias despesas, do apoio financeiro a filhos adultos e, cada vez mais, dos custos relacionados ao envelhecimento dos pais. É a chamada “Geração Sanduíche”, pressionada por necessidades financeiras de três gerações.

O problema é que essas despesas nem sempre podem ser adiadas. Um filho desempregado pode precisar de ajuda para pagar aluguel e contas básicas. Um pai ou uma mãe idoso pode demandar medicamentos, consultas ou outros cuidados. Ao mesmo tempo, quem está no centro dessa operação continua pagando moradia, alimentação, educação, impostos e tentando construir uma reserva para a própria aposentadoria.

Essa pressão fica ainda mais evidente quando se olha para o mercado de trabalho de forma mais ampla. No trimestre encerrado em maio de 2026, além dos 6,1 milhões de pessoas desocupadas, o Brasil tinha outros milhões de trabalhadores em situações de subocupação ou que haviam desistido de procurar emprego. Com isso, a taxa de subutilização da força de trabalho chegou a 13,3%, o equivalente a 15,1 milhões de pessoas, segundo o IBGE. A informalidade também alcançava 37,3% dos ocupados, ou 38,3 milhões de trabalhadores.

Esse cenário ajuda a dimensionar o peso que recai sobre a chamada geração sanduíche. Mesmo quando há renda, ela nem sempre é suficiente ou estável para sustentar simultaneamente as próprias despesas, os cuidados com filhos e as necessidades de pais idosos. Quando essa renda precisa ser compartilhada entre diferentes gerações, qualquer redução nos ganhos pode pressionar ainda mais um orçamento que já tem pouco espaço para imprevistos.

“Uma renda que parecia suficiente pode se tornar apertada quando surgem duas ou três despesas que não estavam previstas. É nesse momento que o crédito pode aparecer como uma ponte para uma necessidade pontual, mas ele precisa ser tratado como compromisso futuro, não como renda adicional”, afirma Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, plataforma de empréstimo pessoal 100% online.

Há ainda uma particularidade dessa faixa etária: diferentemente de consumidores mais jovens, muitos brasileiros entre 41 e 60 anos já construíram um histórico financeiro ao longo de décadas. Isso pode ampliar o acesso a diferentes modalidades de crédito, mas não significa que a contratação seja automaticamente adequada. A capacidade de pagamento continua sendo determinante para evitar que uma solução de curto prazo se transforme em uma nova dívida.

“O histórico financeiro consolidado pode ajudar o consumidor a encontrar mais opções de crédito, mas também aumenta a responsabilidade na escolha. Antes de contratar, é importante olhar para o custo total e entender se a parcela continuará cabendo no orçamento mesmo que apareça uma nova despesa com os filhos ou com os pais”, diz Afonso.

O desafio da Geração Sanduíche, portanto, não se resume a ganhar mais ou gastar menos. É administrar um orçamento que passou a ter múltiplos dependentes em uma mesma casa ou família. E, quando a margem financeira diminuiu, até mesmo consumidores com renda estável e histórico de relacionamento com o sistema financeiro podem ficar vulneráveis à inadimplência.

A questão, para essa parcela da população, é encontrar equilíbrio entre essas três responsabilidades que podem se sobrepor. “Quando essas obrigações chegam ao mesmo orçamento, o crédito pode até aliviar a pressão imediata, mas o planejamento de como pagar a conta depois passa a ser tão importante quanto conseguir o dinheiro”, conclui o especialista. as próprias contas com o sustento de filhos adultos e pais idosos.

Quando o assunto é inadimplência, é comum imaginar um consumidor jovem, recém-chegado ao mercado de trabalho e ainda aprendendo a administrar o próprio dinheiro. Os números, porém, contam uma história diferente. No Brasil, quem mais aparece entre os consumidores com nome restrito está no meio da vida adulta: em junho de 2026, brasileiros entre 41 e 60 anos representavam 35,7% do total de 83,7 milhões de pessoas que estavam inadimplentes no país, segundo a Serasa.

A explicação para esse cenário pode estar menos em um excesso de consumo individual e mais na quantidade de responsabilidades que se acumulam nessa fase da vida. Para uma parcela desses brasileiros, o orçamento precisa dar conta simultaneamente das próprias despesas, do apoio financeiro a filhos adultos e, cada vez mais, dos custos relacionados ao envelhecimento dos pais. É a chamada “Geração Sanduíche”, pressionada por necessidades financeiras de três gerações.

O problema é que essas despesas nem sempre podem ser adiadas. Um filho desempregado pode precisar de ajuda para pagar aluguel e contas básicas. Um pai ou uma mãe idoso pode demandar medicamentos, consultas ou outros cuidados. Ao mesmo tempo, quem está no centro dessa operação continua pagando moradia, alimentação, educação, impostos e tentando construir uma reserva para a própria aposentadoria.

Essa pressão fica ainda mais evidente quando se olha para o mercado de trabalho de forma mais ampla. No trimestre encerrado em maio de 2026, além dos 6,1 milhões de pessoas desocupadas, o Brasil tinha outros milhões de trabalhadores em situações de subocupação ou que haviam desistido de procurar emprego. Com isso, a taxa de subutilização da força de trabalho chegou a 13,3%, o equivalente a 15,1 milhões de pessoas, segundo o IBGE. A informalidade também alcançava 37,3% dos ocupados, ou 38,3 milhões de trabalhadores.

Esse cenário ajuda a dimensionar o peso que recai sobre a chamada geração sanduíche. Mesmo quando há renda, ela nem sempre é suficiente ou estável para sustentar simultaneamente as próprias despesas, os cuidados com filhos e as necessidades de pais idosos. Quando essa renda precisa ser compartilhada entre diferentes gerações, qualquer redução nos ganhos pode pressionar ainda mais um orçamento que já tem pouco espaço para imprevistos.

“Uma renda que parecia suficiente pode se tornar apertada quando surgem duas ou três despesas que não estavam previstas. É nesse momento que o crédito pode aparecer como uma ponte para uma necessidade pontual, mas ele precisa ser tratado como compromisso futuro, não como renda adicional”, afirma Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic, plataforma de empréstimo pessoal 100% online.

Há ainda uma particularidade dessa faixa etária: diferentemente de consumidores mais jovens, muitos brasileiros entre 41 e 60 anos já construíram um histórico financeiro ao longo de décadas. Isso pode ampliar o acesso a diferentes modalidades de crédito, mas não significa que a contratação seja automaticamente adequada. A capacidade de pagamento continua sendo determinante para evitar que uma solução de curto prazo se transforme em uma nova dívida.

“O histórico financeiro consolidado pode ajudar o consumidor a encontrar mais opções de crédito, mas também aumenta a responsabilidade na escolha. Antes de contratar, é importante olhar para o custo total e entender se a parcela continuará cabendo no orçamento mesmo que apareça uma nova despesa com os filhos ou com os pais”, diz Afonso.

O desafio da Geração Sanduíche, portanto, não se resume a ganhar mais ou gastar menos. É administrar um orçamento que passou a ter múltiplos dependentes em uma mesma casa ou família. E, quando a margem financeira diminuiu, até mesmo consumidores com renda estável e histórico de relacionamento com o sistema financeiro podem ficar vulneráveis à inadimplência.

A questão, para essa parcela da população, é encontrar equilíbrio entre essas três responsabilidades que podem se sobrepor. “Quando essas obrigações chegam ao mesmo orçamento, o crédito pode até aliviar a pressão imediata, mas o planejamento de como pagar a conta depois passa a ser tão importante quanto conseguir o dinheiro”, conclui o especialista.

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