O deputado federal Eduardo Pazuello, general da reserva e ex-ministro da Saúde no governo Bolsonaro, voltou a provocar polêmica nas redes sociais. Em postagem no Twitter/X, ele exaltou um pronunciamento da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que afirmou que o ex-presidente Donald Trump “não hesitará em usar o poder econômico e militar dos EUA” para proteger a liberdade de expressão em outros países, incluindo o Brasil. Para Pazuello, a mensagem é um alerta claro e mais um episódio da crescente tensão entre Washington e Brasília, fruto do que ele chamou de isolamento diplomático imposto pelo atual governo brasileiro.
O gesto de Pazuello, no entanto, abriu uma fissura pública sobre o papel de um general brasileiro diante de um eventual ataque externo. Nas respostas ao post, críticos se mostraram perplexos com a atitude de um militar que já ocupou alta patente no Exército. “É isso mesmo? Um General fazendo apologia a um ataque externo?”, questionou o advogado Fernando Vaisman. Outro internauta, Carlos Henrique Costa Batista, lembrou que “jamais imaginou que generais do Brasil chegariam ao ponto de celebrar a possibilidade de uma intervenção estrangeira em nosso país”, o que, segundo ele, revela muito sobre os valores que ainda permeiam parte das Forças Armadas.

Apoiadores
Ao mesmo tempo, apoiadores do bolsonarismo e do próprio general também se manifestaram. Alguns usuários foram diretos: “Tem o nosso apoio total EUA”, escreveu uma seguidora, enquanto outro afirmou esperar que a ação fosse “rápida e breve”. Em meio à polarização, há quem defenda até a hipótese de invasão americana como solução para o impasse político brasileiro, algo que escancara não apenas a divisão social, mas também o grau de radicalização de parte da base bolsonarista.
Esse ambiente se conecta diretamente ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, que já começou com placar de dois votos a zero contra o ex-presidente. Nas redes, militantes tentam manter viva a narrativa de que o Brasil precisa seguir o exemplo de outros países. Um caso citado com insistência foi o do Nepal, onde a população tomou as ruas após a proibição de redes sociais e desencadeou um movimento de proporções históricas. Lá, a juventude organizada, a chamada geração Z, enfrentou repressão violenta que deixou ao menos 19 mortos, mas acabou provocando a queda do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli, a demissão do ministro do Interior e a revogação do bloqueio das plataformas digitais. O episódio mostrou que uma mobilização civil em larga escala pode ter efeitos concretos e derrubar governos.
No Brasil, contudo, a tentativa de uma virada popular em 8 de janeiro fracassou e levou seus organizadores ao banco dos réus. A lembrança do Nepal surge agora como combustível retórico para setores que insistem em soluções fora da democracia e que enxergam em declarações como a de Pazuello um aval simbólico. No fundo, o que o episódio revela é o risco de um general da República, hoje deputado federal, legitimar a hipótese de intervenção estrangeira e acirrar ainda mais um país já profundamente dividido.

