João Pessoa, terça-feira, 15 de setembro de 2026
Gangorra das pesquisas confunde eleitor na reta final; Lula dispara sem margem de erro
15/09/2026 09:30
Redação ON Reprodução

A menos de três semanas do primeiro turno, a sucessão de pesquisas eleitorais começa a dar um nó na cabeça do eleitor — e também de quem acompanha diariamente a corrida presidencial. Em pouco mais de 24 horas, três levantamentos apresentaram retratos bastante diferentes da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Na manhã de segunda-feira (14), a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula numericamente à frente num eventual segundo turno, com 47% contra 46% de Flávio. A diferença de apenas um ponto, porém, estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico. No primeiro turno, o mesmo levantamento apontou Lula com 42% e Flávio com 37%.

Horas depois, a gangorra virou. A Quaest colocou Flávio Bolsonaro pela primeira vez numericamente à frente de Lula numa simulação de segundo turno: 42% a 40%. Mais uma vez, a diferença estava dentro da margem de erro de dois pontos e, portanto, os dois permaneciam tecnicamente empatados. No primeiro turno, a Quaest mostrava Lula na liderança, com 36%, contra 31% de Flávio. 

Nesta terça-feira (15), veio um terceiro retrato — e bem diferente. A CNT/MDA apontou Lula com vantagem mais confortável tanto no primeiro quanto no segundo turno. Na disputa inicial, o presidente aparece com 40,5%, contra 30,4% de Flávio Bolsonaro, diferença superior a dez pontos percentuais. No segundo turno, Lula alcança 47,3%, enquanto Flávio registra 40%, abrindo 7,3 pontos, fora portanto da margem de erro.

Em pouco mais de um dia o eleitor recebeu três fotografias: Lula um ponto à frente, Flávio dois pontos à frente e, agora, Lula mais de sete pontos à frente no segundo turno.

As diferenças não significam necessariamente que milhões de eleitores estejam mudando de candidato de um dia para o outro. Pesquisas realizadas por institutos distintos utilizam metodologias, amostras e formas de coleta próprias e foram feitas em períodos diferentes. Cada levantamento deve ser analisado dentro de seus parâmetros.

Mas, para quem acompanha a campanha pelo noticiário, a impressão é inevitável: a eleição entrou numa verdadeira gangorra. Dependendo da pesquisa que chega à tela do celular, Lula está na frente, Flávio aparece à frente ou um dos dois surge com vantagem bem mais folgada.

A três semanas da votação, talvez a única conclusão comum aos levantamentos seja que a disputa continua aberta — e que, nessa gangorra das pesquisas, cada novo resultado pode mudar novamente a fotografia da eleição.

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