Galdino vira o centro do tabuleiro e expõe racha entre Cícero e Aguinaldo
25/10/2025 17:22
Redação ON Reprodução

O aniversário de Adriano Galdino, neste sábado (26), em Campina Grande, foi muito mais do que uma festa. Foi uma vitrine de poder. O presidente da Assembleia Legislativa mostrou, uma vez mais, seu talento natural para atrair todos os lados da política paraibana — e, de quebra, colocou sob o mesmo teto adversários que dificilmente dividiriam o mesmo palanque em outro contexto.

De um lado, nomes da oposição ao governador João Azevêdo (PSB), como o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos), o ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). Do outro, a turma governista, liderada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que chegou em comboio com o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) e secretários estaduais. Um retrato fiel do atual momento político da Paraíba: alianças cruzadas, incertezas e um tabuleiro em aberto para 2026.

Mas o encontro também serviu de palco para uma troca de farpas indiretas entre dois personagens centrais da cena estadual: Cícero Lucena e o deputado Aguinaldo Ribeiro. Foi a primeira vez que o prefeito falou publicamente sobre as críticas do parlamentar, que o acusou de ter um “projeto pessoal de poder” ao deixar o Progressistas e se filiar ao MDB.

Cícero rebateu de forma dura, negando qualquer ambição individual. Disse que sua pré-candidatura ao governo nasce de um apelo de aliados e da população, e não de um desejo de perpetuação. “Pessoal sou eu, que estou abrindo mão da Prefeitura de João Pessoa. Pessoal é botar o sobrinho”, alfinetou, numa referência direta ao movimento de Aguinaldo para consolidar o espaço da família na política estadual.

Segundo Cícero, sua saída da base governista se deve à falta de critérios claros na definição de candidaturas dentro do grupo aliado de João Azevêdo. “Não me deram oportunidade onde eu estava, nem estabeleceram critério algum”, afirmou, sugerindo que as decisões do bloco governista seguem sendo tomadas de forma concentrada e sem diálogo.

Enquanto isso, Adriano Galdino, o aniversariante da vez, vai se firmando como o personagem mais cortejado do momento. Pré-candidato a governador, ele pediu tempo até dezembro para decidir se mantém sua postulação ou se se alinha a algum dos blocos — o governista ou o oposicionista.

A depender do que se viu em Campina Grande, dificilmente haverá consenso. Mas uma coisa ficou clara: o evento revelou quem tem prestígio, quem está isolado e quem ainda tem cartas para jogar.

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