João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Fux diverge de Moraes, absolve Bolsonaro e deixa aberta possibilidade de reversão futura
10/09/2025 15:54
Redação ON Reprodução

O ministro Luiz Fux dedicou toda a sessão desta quarta-feira (10) — manhã e tarde — a desmontar, ponto a ponto, o voto do relator Alexandre de Moraes no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de tramar um golpe de Estado. Corroborado ontem por Flávio Dino, Moraes havia sustentado a condenação. Já Fux, em longa intervenção acompanhada em tempo real pelo portal O Norte Online, com imagens da TV Justiça, trilhou o caminho inverso: pediu a absolvição de Bolsonaro em todos os crimes imputados.

Na avaliação do ministro, não houve crime de golpe de Estado porque não se consumou a deposição de um governo eleito. Para ele, manifestações e articulações que não resultam em tomada efetiva do poder não configuram golpe. Em suas palavras, tratava-se de “bravatas” e “choro de perdedor”, não atos capazes de derrubar a ordem democrática. Ele também defendeu a “incompetência absoluta” do STF para julgar o caso, já que os acusados não possuem prerrogativa de foro, tese rejeitada até aqui pela maioria.

Absolvição em todos os pontos

Fux rejeitou a acusação de organização criminosa, descartou o enquadramento por dano ao patrimônio público e, em bloco, livrou Bolsonaro e os demais réus de todas as acusações. Seu voto isolado, por enquanto, não altera o placar — que está 2 a 1 pela condenação. Mas, no plano político e jurídico, deixa marcas importantes.

Brecha para o futuro

Análises já apontam que a linha de Fux abre uma brecha considerável para que, em um futuro próximo, um novo Supremo Tribunal Federal possa reverter a decisão caso hoje se confirme a condenação. O raciocínio é direto: se em 2026 a direita vencer a eleição presidencial — com Tarcísio de Freitas visto como nome mais provável — terá a chance de indicar ao menos três ministros entre 2027 e 2030. Isso alteraria a correlação de forças no tribunal e poderia, como ressaltam setores bolsonaristas, “virar o jogo” a favor de Bolsonaro.

Confronto jurídico e político

O julgamento segue, mas a sessão desta quarta-feira mostrou como o Supremo está dividido entre a visão de Moraes e Dino, que tratam o episódio como tentativa clara de golpe, e a tese de Fux, que relativiza os atos e tenta esvaziar seu caráter criminoso. Entre técnicos e políticos, a leitura é de que o voto do ministro não só livra Bolsonaro agora, como projeta uma possibilidade real de reescrever esse capítulo da história judicial brasileira em um futuro não tão distante.

canal whatsapp banner

Compartilhe: