Integrando a segunda edição da ‘Residência Cruzada França-Paraíba’, a artista francesa Lohan Blois está apresentando em João Pessoa a exposição ‘Feu Follet’ (‘Fogo-Fátuo’), que reúne os trabalhos desenvolvidos durante sua residência artística na Arapuca Arte Residência, no litoral sul da Paraíba. A exposição será aberta nesta sexta-feira (31), às 18h, no hall do Anexo I da Fundação Casa de José Américo (FCJA), à Avenida Cabo Branco, 3336, na orla da capital paraibana.
Ao término de sua residência artística na Arapuca Arte Residência, Lohan Blois apresenta ‘Feu Follet’ inspirada pelas paisagens da Mata Atlântica, pela praia e pelos lugares de memória. A pesquisa da artista francesa parte da ideia de que os mortos continuam a habitar o mundo sob outras formas. A partir de narrativas associadas aos povos Puris e Coroados, a exposição propõe uma reflexão sobre territórios de passagem, onde as fronteiras entre vivos e mortos, visível e invisível, tornam-se permeáveis.
O fogo-fátuo – fenômeno luminoso presente em diferentes tradições populares e espirituais – “torna-se a metáfora dessas presenças discretas que atravessam nossa percepção do mundo”, explica a artista. Por meio da luz, do fogo, da matéria e do gesto, Lohan Blois constrói um percurso sensível que convida o público a desacelerar, escutar e perceber aquilo que normalmente escapa ao olhar.
Sua prática artística articula-se em torno da ideia de ritual, entre tradições ancestrais e gestos a serem reinventados. O toque ocupa um lugar central em seu trabalho, estabelecendo uma ligação entre corpo, memória e matéria. Cerâmica, tecido e vidro constituem seus principais meios de expressão, explorados por suas qualidades táteis, simbólicas e poéticas. Nesses materiais, o tempo do fazer, a transformação pelo fogo e a delicadeza dos processos revelam uma dimensão de cuidado, presença e memória.
Durante a residência na Arapuca, a artista desenvolveu um diálogo profundo com a paisagem, os saberes locais e as narrativas que atravessam esse território. O resultado é uma exposição que propõe uma travessia entre floresta, praia e invisível, onde cada obra se torna um convite à contemplação e à experiência sensível.
Mais do que apresentar objetos, ‘Feu Follet’ convida o visitante a atravessar um limiar: um espaço onde o visível encontra o invisível e onde a arte se torna um gesto de escuta, memória e imaginação. Essa residência artística integra a segunda edição da ‘Residência Cruzada França-Paraíba’ e conta com o apoio da Embaixada da França no Brasil, por meio do programa Villa Fatumbi, iniciativa de cooperação transatlântica que busca fortalecer os vínculos entre Brasil, França e África através da arte e da cultura.
A ‘Residência Cruzada França-Paraíba’ promove o diálogo, a criação e o intercâmbio entre artistas e instituições dos dois territórios. O projeto é realizado em parceria com a École Nationale Supérieure d’Art et de Design de Limoges (Ensad Limoges), o governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), a ‘Arapuca Arte Residência’ e a Fundação Casa de José Américo.