Funcionária da Prefeitura de Patos na mira da PF por suposto esquema com construtora
05/04/2025 6:01 am
Redação ON Reprodução,

Como O Norte Online noticiou, a Polícia Federal deflagrou, em 3 de abril de 2025, a segunda fase da Operação Outside, que investiga possíveis fraudes em licitações e desvios de recursos públicos federais destinados a obras em Patos, na Paraíba. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, incluindo um contra Eulanda Ferreira da Silva, coordenadora do Núcleo de Convênios da Secretaria de Infraestrutura de Patos. 

O jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, teve acesso a mensagens analisadas pela PF indicando Eulanda atuava como intermediária entre os interesses do empresário André Luiz de Souza Cesarino, proprietário da empresa Engelplan, e figuras políticas como o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados, e seu pai, Nabor Wanderley, prefeito de Patos. A investigação aponta que Eulanda fornecia informações privilegiadas e tratamento diferenciado à Engelplan, favorecendo-a na obtenção de contratos públicos. 

A obra sob investigação, avaliada em R$ 6 milhões, refere-se à restauração da Alça Sudeste e da Avenida Manoel Mota em Patos. Esse projeto foi financiado por emendas parlamentares direcionadas por Hugo Motta. Embora o nome do deputado seja mencionado na representação da PF, ele não está formalmente entre os investigados. 

A primeira fase da Operação Outside ocorreu em 12 de setembro de 2024, quando surgiram os primeiros indícios de irregularidades no contrato mencionado. A investigação revelou que a Engelplan teria reduzido propositalmente o valor de sua proposta para vencer a licitação e, posteriormente, foi beneficiada com aditivos contratuais que aumentaram o valor da obra, caracterizando possível superfaturamento. 

A Controladoria-Geral da União (CGU) também participa das investigações e estima que o superfaturamento identificado em um dos aditivos contratuais seja de aproximadamente R$ 269 mil. A CGU destaca que desvios de recursos em obras de mobilidade urbana na região do sertão paraibano causam grande prejuízo à população local, que necessita desses investimentos. 

A Prefeitura de Patos informou que não foi alvo direto das buscas e apreensões realizadas e reiterou seu compromisso com a transparência e a legalidade, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações em curso. 

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