O Partido Liberal na Paraíba vive dias de turbulência. O deputado estadual Walber Virgolino (PL) subiu o tom contra o ex-ministro da Saúde e atual presidente estadual da legenda, Marcelo Queiroga, acusando-o de tentar usar sua força política — e a de Nilvan Ferreira — para eleger o próprio filho, o “Queiroguinha”, pré-candidato a deputado federal. Queiroga, por sua vez, é pré-candidato ao Senado e tenta se consolidar como o principal nome do bolsonarismo no estado.
Segundo Walber, o ex-ministro estaria conduzindo o PL com foco em um projeto familiar, e não coletivo. “Não dependo de Queiroga”, afirmou o deputado, acrescentando que possui força política própria e que o ex-ministro age movido por “interesses pessoais”.
As declarações acirraram o ambiente já conturbado dentro do partido, que desde a chegada de Queiroga à presidência estadual vem enfrentando divisões internas. A primeira grande baixa foi a saída do deputado federal Wellington Roberto, que preferiu deixar o comando e se afastar do PL após a nomeação do ex-ministro. Ele, que presidiu o partido por anos na Paraíba, hoje é apontado como provável reforço do MDB, legenda do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
Nilvan tenta conter a crise
O comunicador e ex-candidato a prefeito de João Pessoa, Nilvan Ferreira, entrou na briga para defender Marcelo Queiroga. Ele rebateu as acusações de Walber e garantiu que o ex-ministro não agiu por interesse pessoal ao articular sua filiação ao partido.
Nilvan afirmou que sua volta ao PL foi tratada diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria pedido pessoalmente a Queiroga que conduzisse o processo. “Bolsonaro me mandou a foto no dia em que conversou com Queiroga. Ele pediu que o ministro conduzisse esse trabalho. Portanto, Queiroga apenas atendeu a uma solicitação do nosso líder maior”, afirmou Nilvan.
Mesmo tentando apagar o incêndio, Nilvan reconheceu o clima de divisão e apelou à unidade da direita. “A gente presta um desserviço quando fica um atacando o outro. Já tem gente na esquerda para fazer isso com a gente”, disse.
Cabo Gilberto e Walber: uma rixa antiga
Outro elemento que agrava o cenário é a presença do deputado federal Cabo Gilberto Silva, uma das figuras mais próximas de Jair Bolsonaro em Brasília e membro ativo da linha de frente do PL nacional. Cabo Gilberto tem forte influência entre os conservadores paraibanos e protagoniza uma disputa velada com Walber Virgolino por espaço e liderança dentro do campo bolsonarista.
A rivalidade entre os dois é conhecida nos bastidores e frequentemente transborda para o debate público, o que torna praticamente impossível qualquer tentativa de harmonia partidária.
Um partido em guerra consigo mesmo
Ao observar o atual cenário, é possível afirmar que no PL paraibano existe de tudo, menos harmonia. A legenda que deveria ser o principal abrigo da direita bolsonarista no estado se transformou em um campo de batalhas entre vaidades, projetos pessoais e disputas por protagonismo.
Enquanto Queiroga tenta consolidar sua liderança e preparar o filho para a disputa de 2026, Walber mantém sua postura independente, Nilvan tenta reconstruir pontes e Cabo Gilberto reforça sua presença na base nacional do bolsonarismo.
O resultado, por enquanto, é um partido dividido, em que o “fogo amigo” ameaça incendiar de vez o campo conservador da Paraíba.
E é justamente para esse ambiente que o senador Efraim Filho começa a se aproximar. Ele precisa saber bem onde vai amarrar o seu burro. Porque é nesse clima de absoluta desarmonia que Efraim planeja se posicionar — filiado ou coligado, mas decidido a disputar o Governo do Estado em 2026.