João Pessoa, domingo, 1 de novembro de 2026
Flávio tromba com a Globo após exigir entrevista sem cortes para o Fantástico
01/11/2026 20:32
Redação ON Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu uma nova frente de confronto neste domingo (1º), desta vez com a Rede Globo. Em nota publicada nas redes sociais, o candidato derrotado à Presidência afirmou que foi convidado para uma entrevista exclusiva, mas condicionou sua participação à exibição integral da conversa. Segundo ele, a emissora não aceitou a exigência e desistiu da entrevista.

O episódio ocorre pouco mais de duas semanas depois de Flávio almoçar com a cúpula da Globo, numa demonstração de cordialidade que provocou reclamações da campanha de Lula. Agora, diante da perspectiva de uma reportagem do Fantástico a seu respeito, o senador acusa a emissora de não lhe dar oportunidade de resposta.

É preciso, porém, separar as coisas: pelo relato do próprio parlamentar, não há uma entrevista concedida por ele com exibição confirmada no programa. Houve uma negociação que não avançou. A reportagem mencionada na nota é outro conteúdo.

Flávio escreveu que aceitou conversar com a emissora desde que a entrevista fosse apresentada “na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos”. Ao dizer que a Globo preferiu não prosseguir, transformou a divergência sobre o formato em acusação contra o grupo de comunicação.

A exigência esbarra numa prática elementar do jornalismo de televisão. Entrevistas gravadas para reportagens normalmente passam por edição, tanto para adequação ao tempo disponível quanto para organização das informações. Cabe à equipe jornalística selecionar os trechos relevantes, preservando o sentido das declarações e apresentando com fidelidade a posição do entrevistado.

Exibir uma entrevista integral é uma possibilidade, desde que esse formato seja combinado. Não é uma obrigação editorial decorrente da vontade de quem concede a entrevista. Da mesma forma, a existência de cortes não significa, por si só, censura ou manipulação.

Nesse ponto está a contradição da nota: Flávio reconhece que recebeu um convite, mas acusa a emissora de não ouvi-lo depois de suas condições não terem sido aceitas. O impasse, tal como descrito por ele, foi sobre as regras da participação.

O confronto contrasta com o encontro de 16 de outubro, quando o senador foi recebido por João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais. O almoço aconteceu horas antes da sabatina de Flávio, e não na véspera.

Lula, entrevistado no dia anterior, não teve encontro semelhante. À época, a Globo explicou que a visita havia sido solicitada pela campanha de Flávio e que não recebera pedido equivalente da campanha petista. A emissora também informou que dirigentes do jornalismo não participaram do almoço.

O encontro não comprova favorecimento editorial, mas ajuda a dimensionar a mudança de discurso. A empresa que recebeu o candidato durante a campanha passou a ser atacada por ele após uma negociação frustrada de entrevista.

Até a conclusão deste texto, não havia sido localizada uma manifestação específica da Globo sobre as condições relatadas pelo senador. Também é necessário conhecer o conteúdo efetivamente exibido pelo Fantástico para avaliar como sua posição foi apresentada.

Por enquanto, a própria nota permite uma conclusão mais limitada — e mais clara do que a mistura de acusações: Flávio foi procurado, apresentou exigências e, segundo sua versão, não chegou a um acordo com a emissora. Uma entrevista que não se concretizou não basta para provar que a Globo tenha se recusado a ouvi-lo

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