Flávio Bolsonaro quis se apresentar como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, mudou a abertura da carta e passou a se definir como “líder do Brasil”. A alteração, registrada nesta quarta-feira (28), expõe um problema que nenhuma revisão de texto resolve: a dificuldade de sustentar uma posição política coerente.
Não se trata de corrigir uma vírgula. Quem se proclama vencedor de uma eleição que perdeu e depois retira essa proclamação precisa explicar aos próprios seguidores o que, afinal, pretende sustentar. Flávio quer reivindicar a Presidência ou comandar a oposição? São posições diferentes, com responsabilidades diferentes.
A leitura política desse vaivém é contundente: Flávio parece perdido na narrativa que tenta construir. Faz uma afirmação de enorme gravidade e depois recua na própria apresentação. Quer transmitir comando, mas oferece improvisação.
A mudança tampouco representa uma retratação das acusações de fraude. Segundo o Times Brasil, elas permaneceram no documento. Reescrever a abertura não responde às cobranças de provas nem esclarece as contradições do discurso.
Não sabemos quem redigiu a carta nem se houve uso de inteligência artificial. Sabemos, porém, de quem é a responsabilidade política pelo texto divulgado em seu nome.
Flávio pode substituir palavras. O que ainda não conseguiu apresentar é uma explicação coerente para o papel que pretende desempenhar. Para quem reivindica a liderança do país, não conseguir sustentar nem a própria apresentação é um começo desastroso.

