João Pessoa, terça-feira, 8 de setembro de 2026
Flávio promete ‘guerra’ ao tráfico e diz que subirá rampa do Planalto com Bolsonaro
07/09/2026 17:01
Redação ON Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (7), durante ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, que pretende subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso seja eleito. A manifestação reuniu lideranças bolsonaristas e teve como principais alvos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao iniciar o discurso, Flávio foi direto: “Primeiramente, fora Lula, fora Moraes”. O senador voltou a defender o pai e afirmou que a anistia será uma das bandeiras de sua campanha. Ao final, disse que subirá a rampa do Planalto “junto com Jair Bolsonaro” e repetiu o bordão consagrado pelo ex-presidente: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Flávio também concentrou parte do discurso na segurança pública e prometeu endurecer o combate ao crime organizado. “Vou declarar guerra aos narcotraficantes”, afirmou. Segundo ele, um eventual governo comandado pelo PL buscará classificar organizações como PCC e Comando Vermelho, além de milícias, como grupos terroristas.

O candidato também procurou fazer um aceno ao eleitorado feminino, prometendo políticas de proteção às mulheres vítimas de violência e ampliação da oferta de creches para permitir que mães possam trabalhar.

Ao atacar Lula, Flávio associou o presidente ao ministro Alexandre de Moraes. “Quem vota em Lula tá votando em Alexandre de Moraes”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Não vou permitir que Lula indique mais quatro Alexandres de Moraes”.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também discursou e fez críticas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Ninguém está acima da lei. Se você quer grandeza, preste contas”, afirmou. Tarcísio disse ainda que “deve tudo a Jair Bolsonaro” e apresentou Flávio como o nome escolhido para dar continuidade ao legado político do ex-presidente.

Outro discurso de forte tom contra Moraes partiu do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele comentou o áudio divulgado recentemente no qual aparece conversando com Daniel Vorcaro e classificou o episódio como um “pastel de vento”. “Vorcaro nunca me pediu para interferir em decisões da PF”, afirmou.

Nikolas também atacou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além de cobrar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o avanço de um pedido de impeachment contra Moraes. “Não vim aqui pedir vingança contra ministro, vim pedir Justiça”, declarou.

O deputado anunciou ainda uma manifestação para o próximo domingo (13), em Macapá, diante da residência de Alcolumbre, com o objetivo de aumentar a pressão para que o Senado analise o impeachment do ministro.

Silas Malafaia também concentrou seu discurso na crise envolvendo o STF. O pastor pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, o afastamento de Alexandre de Moraes e saiu em defesa do ministro André Mendonça. Ao mesmo tempo, procurou deixar claro que o protesto não tinha como alvo o Supremo como instituição.

“Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e a República”, afirmou Malafaia, depois de citar outros integrantes da Corte. O pastor questionou ainda o que chamou de tentativa de atingir Mendonça: “Qual é o jogo de denegrir e explodir André Mendonça?”.

O ato na Paulista consolidou a estratégia eleitoral do bolsonarismo para a reta final da campanha: defesa de Jair Bolsonaro, ataques ao governo Lula e a Alexandre de Moraes, pressão pelo impeachment do ministro e aposta no discurso de segurança pública como uma das principais bandeiras da candidatura de Flávio Bolsonaro.

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