João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Flávio Bolsonaro enfrenta desconfiança do sistema político e do eleitorado, avalia a Veja
10/01/2026 21:00
Redação ON Reprodução

Segundo avaliação do site da revista Veja, o senador Flávio Bolsonaro, apontado pelo pai como seu representante na disputa presidencial, percorre partidos, empresários, líderes religiosos e influenciadores em busca de musculatura política, mas esbarra em um alto grau de rejeição e em resistências dentro do próprio campo que deveria apoiá-lo.

Desde que Jair Bolsonaro anunciou, há pouco mais de um mês, que Flávio seria o seu escolhido para disputar o Palácio do Planalto, o senador iniciou uma verdadeira peregrinação por Brasília, São Paulo e outros centros de poder. Ele se reuniu com líderes do Centrão, conversou com empresários, procurou ex-ministros do governo do pai, buscou apoio de influenciadores digitais e percorreu templos religiosos. O objetivo é dar solidez a uma candidatura que, apesar da força do sobrenome, é vista com ceticismo tanto no meio político quanto no ambiente econômico.

De acordo com pesquisas recentes, Flávio até aparece competitivo em cenários de segundo turno contra Lula, com desempenho semelhante ao de nomes como Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior. O problema central, porém, é o tamanho da rejeição. Levantamentos indicam que cerca de 60 por cento do eleitorado afirma que não votaria nele de jeito nenhum, um patamar semelhante ao do próprio Jair Bolsonaro e maior do que o registrado pelo atual presidente. Esse índice sugere que, mesmo com uma base fiel, Flávio pode ter um teto muito baixo de crescimento.

Parte dessa rejeição se explica pelo desgaste do sobrenome Bolsonaro e pelo cansaço de grande parte do eleitorado com a repetição da polarização entre Lula e o bolsonarismo. Além disso, pesam no seu histórico episódios que ainda reverberam negativamente, como o caso das rachadinhas quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, a compra de uma mansão de alto valor em Brasília e as ligações de seu antigo gabinete com pessoas ligadas ao miliciano Adriano da Nóbrega.

Esse passivo também afeta sua capacidade de atrair o centro político. Partidos como PP, PSD, União Brasil e Republicanos, que tentam montar uma alternativa de direita com maior apelo ao eleitor moderado, não se empolgaram com a candidatura. O argumento nos bastidores é que Flávio estaria muito identificado com o núcleo duro do bolsonarismo e teria dificuldade de ampliar sua base.

Dirigentes partidários avaliam que, para ser competitivo, o senador teria de suavizar o discurso e se deslocar em direção ao centro, justamente onde estão os votos decisivos de uma eleição presidencial. Enquanto isso não acontece, a candidatura segue cercada de dúvidas, tanto sobre sua viabilidade eleitoral quanto sobre sua capacidade de unir o campo que hoje se opõe ao governo Lula.

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