Flávio Bolsonaro diz que o pai vai subir a rampa do Planalto em 2027; atos têm baixa adesão na Paraíba
01/03/2026 18:19
Redação ON Reprodução

A principal mensagem política das manifestações bolsonaristas realizadas neste domingo (1º) partiu da Avenida Paulista, em São Paulo. Diante de apoiadores, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro voltará a subir a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027, caso ele vença a eleição presidencial deste ano.

A declaração, carregada de simbolismo político, transformou o ato em algo além de protesto contra o governo Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal. Na prática, o evento funcionou como lançamento público do discurso eleitoral do grupo bolsonarista para o próximo ciclo político nacional.

Designado pelo próprio pai como pré-candidato ao Planalto, Flávio foi o principal nome da manifestação. Em fala de tom claramente eleitoral, defendeu anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, criticou o STF e afirmou que somente uma nova composição do Congresso permitiria o impeachment de ministros da Corte.

O senador também direcionou parte do discurso a segmentos onde enfrenta maior resistência política, especialmente mulheres e eleitores de menor renda, buscando ampliar o alcance eleitoral do bolsonarismo. No palanque, dividiu espaço com lideranças nacionais da direita, entre elas o deputado Nikolas Ferreira e os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, todos inseridos no debate sucessório de 2026.

Pouca gente

Levantamentos divulgados após os atos indicaram que a mobilização também ficou aquém do esperado nos principais centros do país. Em São Paulo, maior concentração do movimento, o público foi estimado em cerca de 20 mil pessoas, enquanto no Rio de Janeiro a manifestação reuniu aproximadamente 4 mil participantes. Os números reforçam que a adesão nacional aos protestos foi inferior à registrada em convocações anteriores, confirmando um cenário de participação mais limitada não apenas na Paraíba, mas em diversas capitais brasileiras.

Em João Pessoa, a mobilização ocorreu nas imediações do busto de Tamandaré, em Tambaú, mas registrou participação tímida ( clique AQUI e veja). Em Campina Grande, o quadro se repetiu, com presença reduzida de manifestantes em comparação com a expectativa criada nas redes sociais durante a semana.

O episódio trouxe uma curiosidade política local. Um dos principais incentivadores da manifestação no Estado, o deputado federal Cabo Gilberto Silva convocou apoiadores repetidamente para os atos, afirmando que era o momento de ir às ruas e reagir ao cenário nacional.

No entanto, o parlamentar não participou da mobilização que ajudou a organizar na Paraíba. Cabo Gilberto esteve em São Paulo acompanhando o ato da Avenida Paulista, deixando sem sua principal liderança o grupo que compareceu ao encontro em João Pessoa. O deputado estadual Sargento Neto também optou por participar da agenda paulista.

Em Campina Grande, estiveram presentes o senador Efraim Filho, o comunicador Nilvan Ferreira e vereadores do município, mantendo representação política, embora diante de público considerado discreto.

O contraste entre o discurso nacional e a mobilização regional evidenciou realidades distintas dentro do próprio movimento. Enquanto em São Paulo o ato assumiu caráter de pré-campanha presidencial, na Paraíba a manifestação teve dimensão mais simbólica do que popular.

No balanço do dia, ficou registrada menos a força numérica das ruas e mais o recado político deixado da Paulista: a tentativa de recolocar Jair Bolsonaro, mesmo fora do cargo e preso, como figura central do projeto eleitoral que mira o Planalto em 2027.

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